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Advogado norte-americano, Curtis Doebbler, ao condenar a corte-fantoche: ”Sadam Hussein manteve a dignidade e chamou o seu povo à unidade e à resistência à ocupação pelo Império” “A comunidade internacional, quase unanimemente, condenou o ataque ao Iraque como ilegal. Os juristas internacionais foram contundentes em suas opiniões. Não obstante, os EUA e seus aliados ignoraram essa condenação de suas ações e confiaram em seu poder destrutivo”, afirmou Curtis Doebbler, especialista norte-americano em direitos humanos e advogado de defesa do presidente Sadam Hussein, em matéria publicada pela rede Al Jazeerah. “O presidente iraquiano, entretanto, foi um sério problema para os invasores”, apontou Doebbler, assinalando que “não puderam encontrá-lo durante meses, enquanto comandava a resistência nacional para a libertação de seu país desde locais sempre diferentes. Sadam Hussein nunca deixou o Iraque. Recusou-se a fazê-lo. Era iraquiano e repetidamente dizia que não seria forçado a sair de seu próprio país por um poder estrangeiro”. O advogado relatou que “em dezembro de 2003, foi capturado finalmente após uma caçada humana de âmbito nacional que custou bilhões de dólares e centenas de vidas”. Bush pretendia, e essa foi uma de suas declarações mais insistentes, submeter Sadam a um julgamento segundo seus interesses. “A lei, entretanto, estava no caminho deste plano. Um julgamento justo ou um tribunal internacional independente daria ao presidente iraquiano um fórum para que condenasse a invasão americana. Isso seria contraproducente a tudo aquilo que a propaganda americana tinha espalhado e poderia fortalecer o movimento nacional de libertação que luta para livrar o Iraque da ocupação americana ilegal”, sublinhou. “Ao invés disso, com a sustentação de um corpo de advogados americanos, os EUA planejaram, financiaram, e orquestraram um tribunal especial iraquiano. Em vez de escolher um dos supostos casos mais sérios para julgar o presidente Sadam, os EUA pegaram um caso insignificante, onde os próprios EUA não pudessem ser implicados nos crimes que alegavam que teriam sido cometidos”, indicou. E como se isso não fosse suficiente, os EUA conduziram as servis autoridades iraquianas para que instalassem esse processo injusto. O advogado norte-americano disse que “sem embaraço, substituíram os juizes cuja política ou conduta não lhes satisfazia, esconderam evidências, produziram depoimentos de testemunhas falsas, testemunhas da defesa foram ameaçadas e advogados de defesa foram assaltados e quatro deles foram mortos, dinheiro dos réus foi roubado”. ZONA VERDE “As violações do direito dariam material para um livro de como realizar um julgamento injusto e invalidar um julgamento em qualquer lugar no mundo, exceto na zona verde controlada pelos americanos no Iraque”, apontou. “Quando o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenções Arbitrárias, um grupo formado por especialistas internacionais indicados por todos os Estados membros da ONU, depois de considerar as representações dos EUA e das autoridades iraqui-anas, decidiu que o julgamento do ex-presidente iraquiano violava seriamente a lei de setembro de 2006 sobre os direitos humanos internacionais, a mídia ocidental ignorou completamente esta opinião”. Curtis Doebbler assinalou que “durante todo o orquestrado julgamento, o presidente iraquiano Saddam Hussein manteve sua dignidade e chamou repetidamente seu povo a resistir aos ocupantes dos EUA e a lutar pela unidade árabe e muçulmana contra o império. Foi, sem dúvida, seu espírito inquebrantável que fez os EUA considerar que mantê-lo vivo era mais perigoso do que sacrificá-lo como um mártir da causa do nacionalismo e da independência dos muçulmanos e árabes”. “Como um dos advogados e conselheiros em seus dias finais vim a conhecer um Sadam Hussein muito diferente daquele que a imprensa ocidental retratou. A imagem que eu vi é uma que o Ocidente está apavorada de se confrontar”. “Sadam Hussein nasceu de família operária e quando se tornou presidente do Iraque ele tomou nas mãos um país com número crescente de pobres e indíces ascendentes de mortalidade infantil. Como presidente ele lutou para mudar isso e dentro de poucos anos o Iraque já estava a caminho de se tornar um país desenvolvido onde a mortalidade infantil estava sob controle e a pobreza em declínio”. “Em suas últimas palavras, o presidente iraquiano lembrou o mundo que há algo mais do que preservar a própria vida. Declarou sua fé na causa que defendeu tão bravamente ao dizer em voz alta: ‘Deus é grande e a Palestina é uma terra árabe’”, mostrou. |