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Bush trama retalhar o petróleo iraquiano entre Esso, Shell e BP

O que Bush e o cartel do petróleo pretendem extrapola até a espoliação que havia no Iraque durante o colonialismo inglês e, mesmo na Arábia Saudita, a extração de petróleo tem controle estatal

O governo Bush preparou projeto de lei que será levado ao parlamento fantoche no Iraque para dar ares de legalidade à entrega do petróleo iraquiano a empresas como a Shell, Esso e British Petroleum, às quais o invasor pretende ofertar 75% dos lucros obtido com a extração durante 30 anos. Depois de alguns anos, as empresas recolheriam 20% dos lucros, o que ainda é mais que o dobro do que praticado no setor. O jornal inglês Independent divulgou os dados após ter acesso a uma versão preliminar no domingo dia 7.

Esses termos são superiores até mesmo aos percentuais dos lucros entregues durante os governos submissos ao colonialismo inglês antes da Revolução de 1968, que abriu caminho para a nacionalização do petróleo iraquiano sob o comando de Sadam Hussein – fato que jamais foi perdoado pelo cartel petrolífero. Naquele período as multinacionais ficavam com 65% do que conseguiam lucrar com a extração.

Nem mesmo em países onde o governo tem um escancarado grau de submissão aos interesses norte-americanos, como a Arábia Saudita, tal tipo de lei, ou qualquer coisa similar, funciona. O controle da extração do petróleo é feito por empresa estatal. A ‘justificativa’ para a rapinagem é que esse assalto pagaria os “custos da extração do petróleo”, ou seja, para obterem este status excepcional, não concedido às companhias em nenhum outro país, basta que as mesmas continuem perfurando e extraindo.  

“O PIOR PARA O IRAQUE” 

Segundo Greg Muttitt, diretor da organização norte-americana Platform que investiga as ações das empresas do cartel do petróleo, “o resultado para o Iraque seria o pior possível”. Ele denuncia que a lei foi elaborada pela consultora BearingPoint, ligada ao cartel. Muttitt acrescenta que “três grupos externos tiveram muito mais oportunidade de analisar a legislação do que a maioria dos iraquianos”. “O rascunho da proposta foi para o governo dos EUA e as principais companhias de petróleo em julho de 2006 e depois para o Fundo Monetário Internacional em setembro”. “Estive na Jordânia em dezembro onde me encontrei com um grupo de 20 deputados iraquianos e perguntei a eles se tinham ouvido falar da legislação. Somente um deles repondeu que sim”, conclui o diretor de Platform.

Em julho de 2003, o então secretário de Estado Colin Powell declarou: “não tiramos uma única gota do petróleo iraquiano. Apesar da guerra ter nos custado muito dinheiro, o petróleo do Iraque pertence ao povo iraquiano, é sua riqueza, e será usado para seu benefício. Portanto, não fizemos a guerra por petróleo”.

O que de fato ocorreu foi que, assim que Bush fez o anúncio de “missão cumprida”, após invadir o Iraque junto com os ingleses, pressionou e conseguiu a aprovação da Resolução 1483 no Conselho de Segurança da ONU, que dava aos EUA e à Inglaterra o controle sobre o petróleo do Iraque.

Os termos da pirataria agora proposta incluem requintes de acinte à soberania do Iraque como o que determina que qualquer disputa futura entre o Iraque e qualquer companhia estrangeira na questão do petróleo deverá ser arbitrada por um tribunal internacional e não por um iraquiano.

Além disso, a idéia dos custos das companhias exploradoras é uma ficção e se choca com o fato de que o Iraque tem a  terceira maior reserva de petróleo do mundo e os seus lençóis de petróleo - praticamente todos já mapeados - estão dispostos de tal forma que estão entre os de extração mais barata no mundo.  

PRESSÃO DOS EUA 

A organização de advogados norte-americana, Global Policy Forum, através de seu diretor, James Paul, destacou que “os EUA e a Inglaterra estão pressionando muito, nesta questão. Está mais do que claro que este é um de seus principais objetivos no Iraque”. Ele acrescenta que “as autoridade iraquianas, um governo sob ocupação, estão sob total influência e o Iraque não tem a menor condição de garantir sua soberania sobre as suas riquezas nestas condições”. Ironicamente a lei conclui afirmando ser de “grande importância para a nação assim como para os investidores no setor”.

O Iraque tem 115 bilhões de barris em reservas de petróleo mensuradas – 10% do total das reservas mundiais conhecidas. Há 71 campos de petróleo mapeados dos quais apenas 24 foram explorados até agora.

Em julho de 2003, Collin Powell declarou: “os recursos advindos do petróleo poderiam atingir de US$ 50 a US$ 100 bilhões em dois a três anos. O Iraque pode financiar sua reconstrução”.

Seu otimismo se comprovou exagerado. A ação da Resistência em defesa do petróleo iraquiano fez com que a extração – já escassa após 10 anos de bloqueio – de 3,5 milhões de barris/dia caísse para 2 milhões que os ianques conseguem extrair sob explosões constantes dos oleodutos.  

GANÂNCIA IMPERIAL 

Mas a ganância do cartel - que foi expressa pelo então vice do Pentágono, Paul Wolfowitz, momentos antes da invasão de que “por volta de 2010 nós necessitaremos de mais 50 milhões de barris por dia. O Oriente Médio, com dois terços do petróleo e o custo mais baixo é ainda onde se encontra o prêmio” – não arrefeceu e para atendê-la, Bush quer agora passar por cima do veredicto do povo norte-americano contra a ocupação do Iraque, expresso nas eleições recentes, e tenta convencer o Congresso, sob a capa fajuta de ‘criar condições para a posterior retirada’, do envio de mais 20 mil soldados.

De qualquer forma, o grande problema dessa pretensão de Bush continua sendo o mesmo que lhe infligiu pesada derrota na última eleição: nada disso foi combinado com a Resistência iraquiana.  

NATHANIEL BRAIA 

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