Determinei o afastamento
dos sargentos controladores porque eles se recusaram a trabalhar, disse o
comandante Junito Saito
“Os sistemas e equipamentos
empregados no controle do espaço aéreo brasileiro atendem plenamente aos
quesitos de segurança e eficiência, permitindo que nosso espaço aéreo figure
entre os melhores do mundo”, afirmou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito,
ao avaliar os problemas relacionados ao tráfego aéreo.
“Logo após o acidente, os
controladores de tráfego aéreo que estavam trabalhando no turno em que ocorreu
o acidente com o vôo 1907 foram afastados para avaliação médica e psicológica,
conforme preconiza a legislação referente ao assunto. Além disso, outros
controladores também deixaram de trabalhar por questões psicológicas. Houve,
portanto, falta de efetivo para continuar efetuando o controle de tráfego
aéreo dentro da normalidade. Esses militares, cerca de 30, desfalcaram as
equipes e, para manter os níveis de segurança de vôo, houve necessidade de se
realizar o controle de fluxo, aumentando os espaçamentos, o que provocou
atrasos”, disse o comandante. “Em um primeiro momento, houve falta de pessoal.
Depois, tivemos problemas em equipamentos, ocasionados por quedas de raios,
falha de operação e panes. Esses fatores, associados aos problemas de uma
empresa aérea comercial no fim do ano passado e, principalmente, com a
restrição de uso de uma pista em Congonhas, foram determinantes para a crise
que se instalou”.
Sobre o afastamento de 14
controladores de vôo, o comandante declarou que “um pequeno grupo de sargentos
controladores de tráfego aéreo do Cindacta-1 passou a recusar o trabalho em
equipamentos disponibilizados para a atividade de controle, mesmo com parecer
favorável da área técnica. Isso aconteceu sempre em horários de pico no
tráfego aéreo, o que resultou na redução do número de aviões controlados por
eles e provocando muitos atrasos. Assim, determinei o afastamento imediato
dessas lideranças negativas, que, além de tudo, prejudicavam a instrução dos
controladores mais novatos, uma vez que alguns deles ocupavam função de
instrutor”.
Para o controle do tráfego
aéreo, navegação e comunicações, há atualmente no país cerca de 6 mil
equipamentos, segundo informou o brigadeiro. “Nos níveis da aviação comercial,
todo o espaço aéreo é coberto por radares e por comunicações. Os Cindactas de
Brasília e Manaus encontram-se com seus equipamentos modernizados. O Cindacta
de Curitiba está em fase de modernização, devendo ser concluído em
setembro/outubro deste ano e o de Recife será o próximo nesse processo. Entre
os anos de 2001 e 2006, foram substituídos 40 radares secundários e
modernizados 39 radares primários. Neste ano, teve início a modernização de
outros 26 radares primários”.