Para reitora, demora de
Serra em revogar decreto agravou invasão na USP
A reitora da Universidade de
São Paulo (USP), Suely Vilela, afirmou que a postura do governador José Serra
em demorar a anular os decretos que comprometiam a autonomia universitária foi
um dos agravantes no processo de invasão da reitoria. “É preciso dizer que os
decretos não foram revogados logo no início. O decreto declaratório (que
anulou os anteriores) só ocorreu em 31 de maio. E a ocupação no dia 3. Esse
foi um dos agravantes no processo”, afirmou a reitora da USP. O prédio da
reitoria ficou ocupado por 50 dias.
Segundo a reitora, a
negociação pela desocupação tornou-se difícil porque “foi um movimento
político em relação aos decretos do governador. Funcionários, alunos e
professores reivindicavam isso”, disse.
De acordo com Suely Vilela,
durante a invasão o prédio da reitoria sofreu depredação e equipamentos foram
furtados. Ao todo, 46 computadores foram violados. “Também temos furtos de
notebooks, monitores, projetores de multimídia, impressoras e scanner. Ainda
podemos ter prejuízos imateriais, como dano intelectual, moral e de documentos
históricos”, disse a reitora.
Apesar de ter assinado um
termo se comprometendo a não punir os estudantes, a reitora informou que os
responsáveis pela depredação poderão sofrer ações legais pelos prejuízos
causados: “A instituição foi duramente ferida na sua integridade, e o
sentimento de agora mistura a indignação e a melancolia de todos nós, que
sabemos quanto perde a universidade pública e o país cada vez que ele se torna
alvo de ataques desse gênero”.
Suely Vilela afirmou que a
prioridade agora é restabelecer o funcionamento da reitoria.