Lula defende programa
para estimular a produção integrada de biocombustíveis no Mercosul
O presidente Lula defendeu o aprofundamento da integração
dos países do Mercosul com mais eqüidade entre seus integrantes, durante a
Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizado em Assunção, na última
sexta-feira. “Temos que aprofundar a integração levando em consideração os
interesses de todos os seus membros”, disse. “Os desafios de uma globalização
assimétrica, exemplificados pelas dificuldades enfrentadas para concluir a
Rodada de Doha para o Desenvolvimento, realçam ainda mais o caráter
estratégico de nosso projeto comum”, acrescentou.
Esclarecendo o presidente da Bolívia, Evo Morales, que em
seu discurso disse que acha “sinistra (a) idéia de transformar alimentos em
combustíveis”, Lula defendeu uma produção integrada dos biocombustíveis como
fonte de energia no Mercosul. “Além das alternativas tradicionais, que
demandam pesados investimentos e prazos mais longos de maturação, penso que os
biocombustíveis oferecem uma oportunidade sem paralelos para transformarmos
nossa região em pólo industrial e tecnológico na vanguarda dessa revolução
energética”, defendeu.
“A experiência brasileira deixa claro seu enorme
potencial em termos ambientais, sociais e econômicos. Mostra também que esse
programa não compromete em nada a segurança alimentar de nossos países”,
argumentou Lula, lembrando que tem “mobilizado as empresas brasileiras para
investir nos países vizinhos, aproveitando a abundância de sol, terra e
mão-de-obra qualificada em nossa região”. “Por tudo isso”, disse o presidente,
“temos urgência de que o Grupo de Trabalho sobre Biocombustíveis elabore um
programa para estimular a produção e consumo de etanol e biodiesel nos países
de nosso bloco”.
Lula falou sobre soluções para as assimetrias que ainda
persistem na região. “Um instrumento importante para aumentar a integração
produtiva e, ao mesmo tempo, diminuir as assimetrias entre nossos países, será
o Fundo para apoio à pequena e média empresa, sobretudo do Uruguai e do
Paraguai”, apontou. “Na verdade, estou convencido de que a integração das
cadeias industriais, juntamente com a eliminação de barreiras injustificadas
ao comércio, é a melhor maneira de assegurar um desenvolvimento eqüitativo que
beneficie todos os nossos povos”, completou.