Quintanilha quer livrar dos
atropelos processo contra Renan e o devolve à Mesa do Senado
O presidente do Conselho de
Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB/TO), devolveu à Mesa Diretora o
processo movido pelo Psol contra o presidente da Casa, Renan Calheiros
(PMDB/AL), depois que a Consultoria Legislativa e a Advocacia Geral do Senado
apontaram irregularidades técnicas, que podem implicar na nulidade do processo
caso não sejam sanadas.
“Com o intuito de preservar
a imagem do Senado e a correção dos procedimentos do Conselho e tendo em conta
as manifestações sobre a existência de vícios processuais na representação
feita contra o senador Renan Calheiros, o que tornaria passível de nulidade
qualquer decisão a seu respeito, busquei conhecer os pareceres jurídicos da
Consultoria Legislativa e da Advocacia Geral do Senado”, diz Quintanilha, na
nota, distribuída por sua assessoria.
Segundo a documentação
encaminhada na última segunda-feira à Mesa pelo presidente do Conselho
ocorreram pelo menos duas irregularidades na condução do processo. A primeira
está relacionada à própria abertura do processo, que só deveria ter ocorrido
depois do aval dos integrantes da Mesa Diretora – o que não ocorreu, pois a
representação foi despachada ao Conselho de Ética por decisão individual do
presidente da Mesa.
E segundo lugar, o pedido de
perícia em documentos apresentados por Renan Calheiros em sua defesa foi
determinado pelo próprio conselho, quando deveria ter sido solicitada pela
Mesa Diretora, uma vez que o pedido para a análise dos documentos não está
entre as atribuições do conselho.
Além disso, os pareceres
apontam outras impropriedades na tramitação da representação. Entre elas, o
fato do relatório do primeiro relator designado, senador Epitácio Cafeteira
(PTB/MA), afastado por motivo de doença, não ter sido submetido à votação após
sua leitura, “reabrindo-se a instrução para oitiva de testemunhas e realização
de diligências”.
A decisão de Quintanilha
deixou os líderes do ex-PFL e do PSDB, Agripino Maia (RN) e Arthur Virgílio
(AM), inconformados alegando que a medida seria uma “protelação”.
Para o líder do governo no
Senado, Romero Jucá (PMDB/RR), a devolução à Mesa Diretora “não é protelar”.
“Está se querendo sanar irregularidades. Protelação é uma coisa que se faz sem
motivo. Correção é algo que se faz quando há alguma coisa errada”, afirmou.