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PSDB promete que vai arejar Congresso com sua ausência
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de boicotar as sessões do Congresso presididas
pelo senador Renan Calheiros é uma sábia decisão
O anúncio do
PSDB e do ex-PFL de que
não vão participar das sessões do Congresso se elas forem presididas pelo
presidente da instituição, senador Renan Calheiros, é uma notícia alvissareira
e auspiciosa.
Não porque eles sejam da
oposição, coisa a que têm direito, evidentemente. Mas há muito eles
representam quase nada dentro do país. Basta ver o número de votos que tiveram
nas últimas eleições. Por exemplo, o ínclito senador Jereissati, que vive
esbravejando, como se alguém tivesse medo disso, não conseguiu eleger um único
deputado, federal ou estadual, nas últimas eleições. E trata-se do presidente
nacional do PSDB, duas vezes governador do seu Estado, e um dos homens mais
ricos do país.
DIREITA
Quanto à bancada do
ex-PFL, desfalcada de sua maior figura, o combativo senador ACM, sobra o
contraponto entre o senador Baiacu e o senador Canjiquinha. Uma dupla do
barulho. Nem os seus colegas agüentam essa música maviosa. A sorte deles é que
o Bornhausen não foi reeleito. Aliás, nem candidato conseguiu ser.
O fato é que, do ponto de
vista político, essa gente deixou de significar alguma coisa, exceto uma
quantidade infinita de chatice, bobagem e perda de tempo para os outros, em
função da sua recalcitrante subserviência a qualquer picareta externo – e, às
vezes, até aos picaretas internos – que os levam à intriga e ao ataque às
próprias instituições de que fazem parte. A maioria deles foi eleita em outra
época, numa situação inteiramente diferente, num país muito distinto do atual,
e seus mandatos representam uma realidade que já não existe mais. É uma turma
fora do tempo, em fase de extinção, como aquele mamute solitário que um dia
foi avistado na Sibéria - para nunca mais aparecer. O que não quer dizer que
fiquem conformados com isso ou resolvam fazer coisa melhor na vida do que
coadjuvar fracassados golpes orquestrados por certa mídia. Certamente, alguns
poderão fazer esse trânsito. Se quiserem.
Portanto, só nos resta
saudar a sábia decisão, graças a qual o Congresso e, de resto, o país, estarão
mais livres e mais saudáveis, portanto, mais democráticos. Resta torcer – e
rezar – para que tucanos e ex-pefelistas se mantenham firmes. Nada de
conciliação! A pátria espera – aliás, está ansiosa – que eles cumpram o seu
dever! Agora! Já! Sem postergações e sem conversa fiada!
Imaginem os leitores,
principalmente os mais jovens, que houve uma época em que a direita enviava
gente mais qualificada para os bancos do Congresso. Para não falar nos tempos
do Barão de Itapuã ou do Marquês de Paraná, aquele magote de reaças da
República Velha, os Bernardino de Campos, Lacerda Franco e Antonio Carlos, por
exemplo, não eram totalmente medíocres e isentos de brilho. Também não o era a
bancada da direita na República de 1946 - os Afonso Arinos, Etelvino Lins, Ruy
Carneiro e outros. Em Senados nos quais seus antípodas eram os Ruy Barbosa,
Luís Carlos Prestes, Juscelino Kubitschek ou Tancredo Neves, até que esse
pessoal dava para o gasto. Pelo menos, naquele tempo, os senadores da reação
sabiam ler, escrever e discursar.
Hoje em dia, veja-se que
miséria: no momento, o prócer mais impoluto da oposição senatorial é um certo
Demóstenes. Tendo pouco em comum com seu homônimo grego, o sujeito briga mais
com as palavras e contra a lógica do que com o governo. Dizem que o Demóstenes
grego se tornou um grande orador porque treinava seus discursos usando pedras
na boca para aumentar a dificuldade de falar. Pois o atual Demóstenes parece
que esqueceu de tirar as pedras da boca - segundo alguns, porque elas lhe
subiram ao cérebro.
Veja-se o atual candidato
a Catão da República, o senador Jefferson Peres. Trata-se de elemento tão
destituído de visão que, sem perceber, entrou no partido errado. Em vez de se
alistar no PSDB ou no ex-PFL, ou em outro sucedâneo da UDN, ingressou no
valoroso partido de Leonel Brizola, o PDT, presumivelmente o maior inimigo dos
udenistas e lacerdistas. Os pedetistas, que são gente educada, ficaram sem
jeito de explicar a ele que havia se equivocado de porta. Assim, deixaram-no
ficar. Porém, Catão e Lacerda não erravam o alvo. Já a sua reencarnação em
forma de pantomina, jamais acerta um. Aliás, jamais escolhe um. Prefere que a
mídia escolha por ele o alvo do dia. Em troca, exibe para ela o seu semblante
de vítima de gastrite que esqueceu de ingerir o antiácido. Há quem confunda
azedume estomacal com severidade no trato com a coisa pública. Mas, há gente
para tudo...
MOSQUETEIROS
Há, inclusive, os
saltimbancos do PSOL, sempre fazendo esforço para serem úteis à reação. Mas...
qual o quê! Depois de todos os serviços prestados, a “Veja” excluiu o PSOL dos
“cinco mosqueteiros da ética”, em sua última edição. Certamente, depois de
avacalhar a ética, se “Veja” o incluísse, estaria avacalhando de vez os seus
“mosqueteiros”. O PSOL é útil para prestar serviços, não para conferir
respeitabilidade. A, digamos assim, revista preferiu misturar os senadores
peemedebistas Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos aos Demóstenes e Gabeiras, na
tentativa de que a aura dos primeiros se estenda aos segundos. E chongas para
o PSOL. Já basta o Gabeira, que é risco demasiado para qualquer batalhão de
mosqueteiros.
Nada disso, certamente, é
sério, e não merece que seja tratado a sério, a despeito dos estragos que
podem advir se as forças vivas do país relaxam sua aliança, isto é, sua
unidade em torno das mudanças necessárias ao Brasil. Cadáveres também causam
males à saúde dos vivos – e não são poucos, se não forem enterrados a tempo.
Talvez aquele líder da UDN da época de Getúlio estivesse, ao final, certo: o
preço da liberdade é a eterna vigilância. O que estava errado era o que ele
chamava de liberdade. E, pensando bem, igualmente o que ele chamava de
vigilância. O resto, está certo.
CARLOS
LOPES
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