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Governo de SP manobra contra CPI para investigar Bragato e máfia da CDHU

Aliados do governo José Serra na Assembléia Legislativa de São Paulo deflagaram uma operação para impedir que os parlamentares investiguem o envolvimento do líder da bancada do PSDB, Mauro Bragato, com a máfia que superfaturava as obras da construção de casas populares da Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), desmontada pelo Ministério Público Estadual (MPE).

A oposição já conseguiu protocolar o pedido de instalação de CPI na Assembléia. Mas, segundo o site do PT/SP, “o presidente da Assembléia (Luiz Vaz de Lima), que é do PSDB, tem lançado mão de mecanismos protelatórios, para não permitir que haja qualquer investigação da administração tucana em São Paulo (somente nesta legislatura são 15 CPIs protocoladas). A posição é repetir o que aconteceu na gestão Alckmin, quando 70 pedidos de CPIs foram protocolados e apenas duas foram instituídas no apagar das luzes já na reta final dos trabalhos legislativos”. De acordo com a bancada do partido, “o PT defende desde o governo Mário Covas a instituição de uma CPI para investigar a Companhia, e o rombo provocado nos cofres públicos  pelos governos tucanos no comando do Estado de São Paulo”.

O próprio governador colocou-se contra a CPI para apurar o caso, alegando que “isso está sendo investigado pelo Ministério Público e pela polícia. Melhor investigação que essa, impossível”. Seguindo as declarações de Serra, na última terça-feira, uma tropa de parlamentares tucanos utilizou a tribuna para falar da “idoneidade” de Bragato e contra a instalação da comissão.

Bragato, que foi secretário estadual da Habitação entre maio de 2004 e janeiro de 2005, é acusado por Edson Menezes, ex-mestre-de-obras da empreiteira FT, de ter recebido envelopes com valores entre R$ 1.500 a R$ 4.000 (30 parcelas totalizando R$ 115 mil) referentes a propinas pelas obras superfaturadas na região de Presidente Prudente. Edson Menezes disse que foi escolhido pela empreiteira para entregar o dinheiro por ser filiado ao PSDB. Além do depoimento, o MPE comunicou à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado sobre a existência de outros indícios de envolvimento do líder do PSDB com a máfia descoberta na região.

Além disso, a apreensão feita pela polícia na sede da empresa FT encontrou livros caixas com anotações em que aparecem a sigla QLN, que segundo os funcionários significa “quanto levo nisso”. Ao lado da sigla estão nomes e siglas, como MBR (que segundo os investigadores são as iniciais de Mauro Bragato), juntamente com valores de R$ 2, 3 e 4 mil. Em sua defesa, Bragato disse apenas que a sigla pode ser uma empresa que presta serviços à CDHU, porém não apontou qual era. Ao pesquisar o site do Tribunal de Contas do Estado, encontramos apenas um consórcio com o homônimo de MBR que, por sinal, tem um contrato firmado com a empresa de saneamento da cidade de Piracicaba, comandada por Barjas Negri, ex-secretário-executivo de José Serra no Ministério da Saúde e ex-presidente da CDHU.

Na casa de outro envolvido, Luís Paulo Kauffmann, integrante da campanha de Bragato à Assembléia e acusado de ser tesoureiro da quadrilha, foi descoberta uma nota promissória no valor de R$ 10 mil, com a rubrica de MBragato. A polícia encontrou ainda na residência Climério de Toledo Pereira, engenheiro que atuava na coordenação das obras da CDHU, um vale de R$ 10 mil com a indicação da sigla MB, diminutivo de MBR ou MBragato.

A polícia civil estima que a máfia das obras da CDHU tenha desviado cerca de R$ 135 milhões dos cofres públicos nos últimos seis anos. Vinte e nove pessoas, entre prefeitos, funcionários públicos e empresários foram denunciadas e o Ministério Público apura ainda o envolvimento de Arnaldo Negri, irmão do prefeito de Piracicaba.

ALESSANDRO RODRIGUES 

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06/07/2007
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