Governo pressiona e Abbott reduz 30% preço de remédio
Após quebrar a patente do
Efavirenz, da Merck, Brasil obtém
outra vitória na compra de medicamentos para a Aids, agora contra a
norte-americana Abbott
Para não
ter a patente quebrada, o laboratório norte-americano Abbott, fabricante do Kaletra,
medicamento utilizado no tratamento contra a Aids, decidiu atender as
reivindicações do governo brasileiro e anunciou uma redução de 29,5% no preço
do produto. O acordo foi assinado na quarta (4), em Brasília, pelo ministro da
Saúde, José Gomes Temporão. A previsão de redução de gastos, no primeiro ano
do acordo, é de cerca de US$ 11,4 milhões. Segundo o ministro, após a pressão
do governo brasileiro, “a Abbott apresentou um preço compatível aos genéricos
indianos”.
Em 2005, o governo
brasileiro declarou interesse público do Kaletra e ameaçou adotar o
licenciamento compulsório, ou quebra de patente do medicamento, caso a empresa
não reduzisse os preços que comprometiam o tratamento dos pacientes com Aids
no Brasil. Depois de quatro meses de negociação, foi fechado o acordo que
garantiu redução de 47% no preço do medicamento, que passou de US$ 1,17 para
US$ 0,63, a cápsula.
Agora, além da
redução do preço, a medida inclui outro benefício. O Lopinavir/ritonavir, nome
comercial do anti-retroviral Kaletra, que compõe o coquetel anti-aids
distribuído gratuitamente pelo Brasil aos portadores do vírus HIV, virá na
forma de comprimidos. A versão anterior do remédio era em cápsulas. A nova
apresentação permite ao paciente diminuir o número de doses diárias,
substituindo a ingestão de seis cápsulas por dia, para quatro comprimidos.
Outra vantagem é que a nova apresentação não precisa ser armazenada em
geladeira.
Outra iniciativa
importante do Brasil na luta contra o cartel do setor farmacêutico, foi a
quebra da patente do medicamento Efavirenz, em maio deste ano. A medida foi
decretada porque a Merck, norte-americana detentora da patente do Efavirenz,
além de impor preços abusivos ao Brasil, um dos maiores compradores mundiais
do medicamento, não aceitou a proposta de redução de preços feita pelo governo
brasileiro, embora cobre valores inferiores pelo mesmo remédio em outros
países.
A partir daí, o
governo brasileiro passou a importar o medicamento de laboratórios indianos e
chineses e, nesta semana, o país recebeu o primeiro lote do produto importado
do laboratório indiano Aurobindo. A economia será de R$ 60 milhões.
O Brasil vai
importar 8 lotes do Efavirenz até janeiro do próximo ano. Depois, o
anti-retroviral será produzido pelo Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe)
e pelo Laboratório FarManguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz.
Temporão informou
que no momento o governo está dando prioridade aos investimentos do parque
tecnológico dos laboratórios oficiais para ampliar a oferta de produtos
genéricos. Entretanto, ressaltou que está em estudo um incremento da indústria
farmacêutica nacional e um novo marco regulatório para o setor. “Há uma
política de compra do Ministério que precisa ser seguida, bem como uma
política tarifária”, disse.
Para estimular a
produção nacional, “a minha idéia é aliar o poder de compra do governo
federal, a política industrial, as linhas de financiamento do BNDES”, diz o
ministro. “Só para este ano, será destinado à indústria farmoquímica R$ 900
milhões e o presidente do BNDES me disse que poderia dobrar ou triplicar este
valor, se tivesse demanda”, completa.
JOSI SOUSA