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MP diz que dinheiro da CDHU pode ter sido usado até para festa de aniversário de Mauro Bragato

O livro caixa da empreiteira FT Construções, acusada de superfaturar obras da CDHU na região de Presidente Prudente, aponta que o dinheiro desviado da autarquia pode ter sido usado até para pagar a festa de aniversário do líder do PSDB na Assembléia Legislativa de São Paulo, Mauro Bragato. O Ministério Público denunciou que consta no livro da empresa 30 anotações com as iniciais “MBR” ao lado de valores entre R$ 1.500 a R$ 4.000 (totalizando R$ 115 mil) e a sigla “QLN”, que segundo funcionários significava “quanto levo nisso”.

A primeira alegação de Bragato é de que as iniciais não se referem ao seu nome e sim a alguma empresa que prestava serviço à CDHU, mas não soube dizer que empresa era essa. No entanto, o MP divulgou informações de que num dos lançamentos de R$ 1 mil está seguido da observação de “AJUDA ANIVE MBR”. O registro do pagamento para a festa de aniversário foi feito no dia 9 de dezembro de 2004, um dia depois do aniversário de Mauro Bragato, que nasceu no dia 8 de dezembro de 1953.

O esquema de superfaturamento na construção de casas populares na região de Presidente Prudente foi descoberto a partir da Operação Pomar, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. O mentor da quadrilha, Francisco Emílio de Oliveira, o Chiquinho da CDHU, dono da FT Construções, está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Caiuá, interior de São Paulo. Além dos documentos apreendidos na operação, o pagamento de propina para Mauro Bragato, secretário de Habitação na gestão de Geraldo Alckmin, foi detalhado no depoimento de dois ex-funcionários da construtora. Um deles, Edson Menezes, disse que foi escolhido pela empreiteira para entregar o dinheiro no escritório de Bragato por ser filiado ao PSDB. O depoimento do outro funcionário está sendo mantido em segredo pelas autoridades.

Ao negar as denúncias de recebimento de propina, Bragato alega em sua defesa que não possui patrimônio. O tucano afirma possuir um patrimônio de R$ 6.540,00, como declarou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no ano passado. Entretanto, no mesmo ano Bragato fez uma doação para a sua própria campanha no valor de R$ 40 mil. Para um jornal de São Paulo, Bragato informou que conseguiu o dinheiro emprestado com um amigo e que pagaria em duas parcelas de R$ 20 mil. Questionado se não pagaria juros, disse não se lembrar. Para outro jornal, Bragato disse que pediu o dinheiro para um agiota. Mauro Bragato também recebeu doações para a sua campanha de outra empresa acusada de envolvimento com a máfia da CDHU. A LBR Engenharia, parceira da Tejofran, doou, oficialmente, R$ 20 mil para a campanha do tucano.

CPI

A bancada de oposição na Assembléia está tentando instalar uma CPI para investigar a máfia da CDHU, mas a base governista tem impedido a criação da comissão. As investigações do Ministério Público mostram que o mesmo esquema descoberto na região de Presidente Prudente funciona em outras regiões do Estado. Pelo menos 45 cidades estão sendo investigadas.

O secretário da Promotoria da Cidadania, promotor Saad Mazloum, afirmou que desde 1998 já abriu 102 processos por improbidade administrativa por ilícitos cometidos na autarquia. O Ministério Público pede a devolução de R$ 1,1 bilhão de recursos desviados dos cofres públicos.

O promotor denuncia que o tramite do processo e as ações protelatórias nas diversas esferas responsáveis, como Tribunal de Contas do Estado e Assembléia, provocam uma morosidade que permite aos culpados ficarem impunes. “Muitas vezes, os documentos chegam para o Ministério Público nove, dez anos depois de o contrato ter sido fechado”, disse Saad. A falta de investigações e de CPIs na Assembléia foi um importante estímulo para a máfia da CDHU continuar atuando e roubando o dinheiro que deveria ser destinado para a construção de casas populares.

ALESSANDRO RODRIGUES 

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11/07/2007
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