‘The New York Times’ em editorial: guerra de Bush
no Iraque “é uma causa perdida”
“É um fardo
crescente para os contribuintes americanos, e é uma traição a um mundo que
precisa da sábia aplicação do poderio e dos princípios americanos”, afirmou o
“New York Times” em editorial da sua edição de domingo dia 8 sobre o desastre
de Bush no Iraque, em que propõe que está na hora de “desenredar da guerra as
tropas americanas”.
“A maioria dos
americanos alcançou essas conclusões meses atrás”, reconheceu o NYT, que
recomendou ao congresso colocar a retirada “no topo da agenda”. O jornal
registrou, ainda, que “é assustadoramente claro que o plano de Bush é manter o
curso enquanto for presidente e deixar a confusão para o sucessor”. Para o NYT,
a causa de Bush “está perdida”. “É hora de os Estados Unidos deixarem o Iraque
sem mais demora do que a necessária para o Pentágono organizar uma saída
ordenada”, acrescentou.
Notório bate-pau de
Bush na fabricação da guerra – através da sua (da empresa? da CIA?) “repórter”
Judith Miller, das manchetes sobre o “urânio de Sadam” e “armas químicas” e
das entrevistas com o agente Ahmed Chalabi, o “NYT” agora se descobriu noutro
mundo, e passou a ser a favor do fim da invasão quase desde criancinha. “Como
muitos americanos, nós adiamos essa conclusão, esperando por um sinal de que o
presidente Bush estava seriamente tentando tirar os Estados Unidos do desastre
que ele criou ao invadir o Iraque sem uma causa suficiente, diante da oposição
global, e sem um plano para estabilizar o país depois”.
“MITIGAR O CAOS”
Candidamente, o
editorial assevera que “no começo, nós acreditamos que depois de destruir o
governo, o exército, a polícia e as estruturas econômicas do Iraque” (sic), os
Estados Unidos estavam obrigados “a cumprir algumas das metas que Mr. Bush
clamava estar perseguindo, principalmente construir um estável, unificado
Iraque”. Noutro precioso esclarecimento, o editorial, que não tem uma linha
sobre o petróleo, diz que “quando se tornou claro que o presidente não tinha
nem a visão nem os meios de fazer isso” – ou seja, a Resistência estava
surrando os invasores e seus lacaios -, “nós argumentamos contra definir uma
data de retirada enquanto houvesse alguma chance de mitigar o caos que
provavelmente se seguiria”. Mas, reconheceu afinal que cada virada que Bush
prometeu - “depois das eleições, depois da constituição, depois de enviar
milhares de tropas a mais” - foi para o vinagre e não tem jeito.
O jornal aproveita
para dar algumas sugestões. Como os EUA “se manterem no norte curdo”; “talvez
a partição ao estilo bósnio, com os recursos econômicos divididos justamente”.
Mas, acrescenta “com milhões de iraquianos forçados a se realocarem”. O que,
garante, “seria melhor que a limpeza étnica e religiosa em câmera lenta que
tem contribuído para tirar um em cada sete iraquianos dos seus lares”. O
editorial também recomenda encher os esgotos dos EUA – talvez Miami – com
“dezenas de milhares de iraquianos de coragem e boa vontade – tradutores,
empregados da embaixada, operários da reconstrução – cujas vidas estarão em
perigo porque acreditaram nas promessas e cooperaram com os americanos”.
Inclusive deve ter vários prontos para virarem jornalistas do “NYT”.
AP