Congresso da UNE consolida unidade pelo desenvolvimento e
avanços na educação
Os 70 anos da entidade
estudantil foi celebrado no Congresso que elegeu a nova diretoria e aprovou o
apoio à Reforma
Universitária, ampliação do
ProUni, cotas nas universidades, ensino de qualidade, o PAC do governo federal,
e a luta pelas mudanças na política econômica do BC
Celebrando
70 anos de existência, A União Nacional dos Estudantes (UNE) realizou o seu
50º Congresso no mais importante encontro universitário que consolidou a
unidade do movimento estudantil pelo desenvolvimento do país e pelos avanços
na educação brasileira. Com o apoio à aprovação da Reforma Universitária,
ampliação do ProUni, cotas nas universidades, ensino de qualidade e apoio ao
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, o encontro
contou com mais de 8 mil estudantes de 1.880 universidades de todo o país.
O congresso foi
realizado entre os dias 4 e 8 de julho na Universidade de Brasília (UnB), onde
estudou Honestino Guimarães, que recebeu ilustre homenagem com o resgate da
história do líder, que por duas vezes presidente da UNE, manteve vivo o
movimento estudantil brasileiro durante a ditadura.
Resultado do novo
processo que movimentou milhares de estudantes em campanhas realizadas em cada
universidade para a eleição de delegados, o congresso envolveu mais de 300
DCE’s (Diretório Central dos Estudantes). No Domingo (8), foi realizada a
Plenária Final do congresso que elegeu a chapa 11 – “1º de Fevereiro” - para
dirigir a próxima gestão da entidade. Com 1.802, de um total 2.526 votos, a
chapa “1º de Fevereiro”, nome em homenagem ao dia em que os estudantes
retomaram o terreno da sede da UNE no Rio de Janeiro, elegeu presidente da
entidade a estudante de jornalismo, Lúcia Stumpf.
LÚCIA
STUMPF
“Só a unidade vai
conseguir garantir que a União Nacional dos Estudantes consiga construir as
transformações que o Brasil e a educação precisam”, afirmou Lúcia saudando os
participantes do congresso. “Uma saudação especial a todos os participantes do
Movimento Bloco na Rua, uma saudação aos companheiros da tese Mutirão,
Mudança, Kizomba, do Movimento Reinventar, da JSB, da tese Movimente-se. A UNE
desses próximos dois anos vai ser a UNE de Honestino Guimarães, vai ser a UNE
de Luiz Travassos, de Aldo Arantes. A UNE desses próximos dois anos vai
transformar todos os sonhos das gerações passadas em realidade”, disse. “Vai
ser a UNE dos artistas dentro do CUCA, a UNE dos rondonistas, dos
trabalhadores, do MST. Vai ser a UNE dos estudantes das escolas pagas que
sofrem todos os dias com a repressão dos tubarões de ensino. A UNE das
universidades públicas, da luta das mulheres. A nossa próxima gestão vai
reconstruir a casa de todos os estudantes brasileiros. Nós vamos reconstruir
naquele que é nosso terreno por direito, na Praia do Flamengo, 132, a casa de
todo jovem brasileiro, de todo jovem sonhador e lutador do nossa Brasil. A
nova sede da UNE vai honrar seus 70 anos de história olhando para o passado
para construir o futuro. Viva a UNE! Viva a unidade do movimento estudantil
brasileiro!”, concluiu.
Ubiratan Santos (Bira),
coordenador geral DCE Mário Prata, da UFRJ, e presidente do Centro Acadêmico
de Medicina, eleito secretário-geral da UNE, afirmou que “o sucesso desse
congresso demonstrou que a próxima gestão da UNE terá condições totais de
aprofundarmos as mudanças”. “Isso passa por ampliarmos para 580 mil as vagas
do ProUni, passa por aprovarmos a Reforma Universitária, passa por aprovarmos
o PAC, que na prática é o governo investindo diretamente no desenvolvimento de
nosso país. Para isso precisamos derrubar esses juros altos e enterrar por
completo a herança maldita deixada pelos tucanos na época de FHC”, disse Bira.
MÍDIA
Durante a Plenária
Final, os estudantes entoavam palavras de ordens como “olelê, olalá o ProUni é
chance da galera estudar”, “o movimento estudantil unificado nas mudanças do
Brasil”. Já a bancada do PSol, isolada, defendeu o fim da ProUni, das cotas e
a não aprovação da Reforma do ensino superior. “PSol é bancada da Veja,
ninguém pode negar”, entoaram os estudantes.
Entre as
resoluções, os estudantes aprovaram o apoio às medidas do governo Lula e
denunciaram a campanha da mídia contra o governo. “A reeleição de Lula, para
além de impedir o retrocesso, foi uma vitória importante. A polarização de
projetos, em particular no segundo turno, fez com que a candidatura de Lula
assumisse compromissos mais abertamente desenvolvimentistas, como a ampliação
das políticas sociais, a necessidade de crescimento acelerado, a geração de
empregos, a distribuição de renda e o protagonismo do estado como indutor do
desenvolvimento. De outro lado, demonstrou que o povo rechaça a volta dos
neoliberais e suas políticas, como atestaram o isolamento de FHC na campanha
tucana”, afirma a resolução de Conjuntura.
SEMINÁRIOS
Durante os quatro
dias de congresso, foram realizados grupos de debates e seminários (ver
matérias nas próximas edições). Entre as atividades, foram realizados na
quinta-feira (5) os painéis ‘Alternativas para a construção de um projeto
nacional’, ‘Novos rumos para a América Latina’ e ‘Desafios de política
energética’. Na sexta-feira (6) ocorreram, entre outros, os painéis
‘Democratização dos meios de comunicação’ e ‘As implicações do Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE)’.
Ainda no dia 6, os
estudantes presentes saíram da Esplanada dos Ministérios numa passeata até a
sede do Banco Central, onde se reuniram milhares de estudantes sob o lema
“Verás que um filho teu não foge à luta - por mudanças na política econômica,
desenvolvimento com soberania e distribuição de renda”.
JÚLIA CRUZ