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Debate propõe fortalecimento da imprensa popular e democrática para enfrentar os monopólios da mídia

Na mesa “Democratização dos meios de comunicação”, no dia 6, o jornalista Raimundo Pereira, editor da Revista Reportagem, Altamiro Borges do portal Vermelho, Carlos Lopes, do jornal Hora do Povo, e Bráulio Ribeiro do coletivo Intervozes debateram caminhos para fortalecer a imprensa popular e democrática e enfrentar os monopólios da mídia.

Para Raimundo Pereira, o principal problema da imprensa brasileira é o monopólio dos meios de comunicação. Segundo ele, “algumas poucas famílias que controlam uma grande quantidade de informação”. “Os movimentos sociais, populares, tiveram um grande papel no período de redemocratização do nosso país. É hora agora de usar essa força para fazer a redemocratização na comunicação, porque nós temos idéias, muitas e boas idéias”.

O jornalista, que durante a ditadura ajudou a formular e dirigiu os jornais Opinião, Movimento e Retratos do Brasil, apresentou o histórico da imprensa, e ressaltou a importância de um jornal impresso, diário, que aglutine a esquerda brasileira como alternativa. “É preciso fazer uma coisa de que o povo goste. Eu me lembro da Última Hora, era um jornal maravilhoso. Estudantes, universitários, o pessoal adorava”, exemplificou Raimundo.

Lembrando o último processo eleitoral, de 2006, em que depois de uma longa campanha da imprensa contra a reeleição, Lula foi reeleito com grande maioria dos votos, justamente porque “a influência da mídia tem um limite, e o povo mostrou isso nas urnas”.

Para Carlos Lopes, neste debate, a questão principal “é se nós vamos ter um mundo dominado pela verdade ou pela mentira”. E cita o exemplo do senador Renan Calheiros: “não importa o que achamos das posições políticas do senador, mas se estamos cometendo uma injustiça ou não. Porque se estiver sendo cometida uma injustiça, ainda que um cidadão tenha uma posição política oposta, é obrigação denunciá-la”. Falou ainda sobre a dificuldade de se desmentir calúnias publicadas, devido a nossa lei de imprensa. Segundo ele, “hoje em dia, eles estão preconizando que a liberdade de imprensa é fazer, dizer e publicar o que quiserem. Ou seja, se alguém publicou uma mentira isso também é liberdade de imprensa”.

“Nunca a credibilidade da imprensa esteve tão afetada. A Veja, que é o principal órgão do ponto de vista ideológico, não têm mais ninguém com alguma responsabilidade”, destacou Carlos Lopes, que fez um histórico da formação do monopólio da imprensa no Brasil. “Nem sempre a imprensa do Brasil foi monopólio, e aqui surgiu em função do monopólio norte-americano. Quando Nelson Rockefeller era sub-secretário de Estado para a América Latina, em 1943, fez uma conferência com dois mil donos de jornais da região para implementar esta prática no nosso país”. Logo depois, em 1950, chegaram no Brasil e na Argentina os irmãos Civita, não por acaso, com os mesmo contratos de exclusividade das publicações da Disney, que deu origem, no caso brasileiro, à Editora Abril. 

Ressaltando que o monopólio vai além do número de veículos existentes no país, mas principalmente da informação que é publicada, Carlos Lopes afirmou: “Se você pegar o catálogo da Secretaria de Comunicações, tem mais de três mil jornais, só que 90%, ou mais, reproduzem o noticiário da Folha, Globo, do JB e do Estadão”.

O jornalista Altamiro Borges destacou que o debate sobre os meios de comunicação é estratégico. “Não vamos conseguir avançar nas nossas lutas, e construir um novo modelo social, se não mudarmos o monopólio da mídia. Estamos vivendo um paradoxo, por um lado nunca a mídia foi tão poderosa, por outro ela esta muito vulnerável”.

“Vimos o que Bush fez com a mídia na invasão do Iraque, manipulações grosseiras, e nenhuma veículo dos EUA fez auto crítica pelas mentiras que contou”, afirmou Altamiro, destacando que hoje apenas 20 grupos dominam a mídia mundial. “É bom lembrar que 30% do grupo Abril é do grupo Naspers, que é o grupo do Apartheid da África do Sul e que manteve Mandela na cadeia, esse é o grupo que comprou a Veja”.

Segundo Bráulio Ribeiro foram três os motivos que levaram a mídia a agir de forma tão desesperada: a vitória de Lula, a não renovação da concessão da TV venezuelana, RCTV, e o atual debate sobre a classificação indicativa da programação das TVs brasileiras. Para ele, estes fatos demonstram a perda do poder de manipulação e a necessidade do domínio público sobre os meios de comunicação.

“Esperou-se o fim do prazo da concessão e, no momento de se analisar a renovação, os critérios para tal procedimento foram observados. Qualquer Estado é soberano para isso. A não-renovação já ocorreu também em outros países, como os EUA, Inglaterra e Espanha e isso, necessariamente, não significa um atentado à democracia: é prerrogativa do Estado democrático não conceder a renovação da concessão, que é um bem público”.

Lembrou que este exemplo incomoda a mídia brasileira porque várias concessões de TVs e rádios vencem este ano. “No dia 5 de outubro vencem diversas outorgas, incluindo as concedidas a todas as cinco emissoras próprias da Rede Globo”, afirmou Bráulio, defendendo que qualquer renovação deve ser debatida e analisada a partir de parâmetros claros, construídos com base na garantia do interesse público.

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11/07/2007
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