Governo investe R$ 17,6 bi e
impulsiona obras do PAC
Total de recursos registrado no primeiro semestre
representa um aumento de 33,2% em relação ao mesmo período do ano passado: R$
13,220 bi
Ao apresentar em maio o
primeiro balanço, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, destacou que o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) “definiu o investimento como prioridade do Governo Federal”.
Um levantamento feito a partir de dados do Siafi (Sistema Integrado de
Administração Financeira do Governo Federal) corrobora as palavras de Dilma:
no primeiro semestre, os investimentos da Administração Federal (União e
empresas estatais) somaram R$ 17,609 bilhões, o que representa um aumento de
33,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando totalizaram R$ 13,220
bilhões - em valores correntes, ou seja, com a inflação já descontada.
O montante, no entanto,
ainda não corresponde ao total dos recursos investidos no semestre, pois os
dados de maio e junho das empresas estatais ainda não foram divulgados. Porém,
é o maior volume de investimentos dos últimos sete anos em um semestre. A
União contribuiu com R$ 6,3 bilhões até junho, enquanto os investimentos das
estatais foram de R$ 11,3 bilhões até abril.
Não que o aumento dos
investimentos não fosse um resultado esperado – afinal, uma premissa para o
sucesso do PAC é exatamente a ampliação dos investimentos -, mas não deixa de
ser alvissareiro. Porque deixa patente que esse é o centro da discussão – e da
ação do Estado – hoje no Brasil, deixando para trás a idéia de que a atuação
do governo deveria se resumir ao arrocho fiscal, uma das causas da estagnação
na gestão tucana. A discussão agora passou a ser quanto, como e onde o Estado
deve investir.
RESISTÊNCIAS
Note-se que o governo teve
que superar resistências para chegar à situação atual. Ao fechar o primeiro
trimestre deste ano, apesar dos esforços, especialmente do presidente, apenas
0,9% dos recursos orçamentários previstos haviam sido liberados. Mas, no
trimestre seguinte as resistências parecem ter sido, na maior parte,
superadas. É o que indica o resultado final do semestre, qualitativamente
diferente do primeiro trimestre.
ESTATAIS
Quanto aos investimentos das
estatais, eles cresceram, de janeiro a abril, 34,8% em relação a todo o
primeiro semestre do ano passado. A principal responsável foi, naturalmente, a
Petrobrás, com R$ 10 bilhões em investimentos. Com referência aos recursos
orçamentários, os maiores aumentos de investimento correram por conta dos
Ministérios dos Transportes, Saúde, Defesa e Educação.
As ações desenvolvidas no
âmbito no PAC – até maio, 912 obras já estavam em andamento, segundo o Comitê
Gestor do programa -, ao lado de outras iniciativas, apontam para uma expansão
ainda maior dos investimentos no segundo semestre, não só públicos como
privados, uma vez criado o que a ministra-chefe da Casa Civil classificou como
“ambiente favorável ao crescimento”.
As ações em andamento e as
recém anunciadas também contribuem para o “ambiente favorável”, como o PAC
Infra-estrutura Social e Urbana. Este, não só pelo lado econômico, mas por
alcançar milhões de brasileiros que estavam praticamente esquecidos pelo poder
público até um passado não tão distante. Assim, serão implantados inicialmente
projetos de saneamento e urbanização de favelas em três estados: Rio de
Janeiro (R$ 3,237 bilhões), São Paulo (R$ 4,926 bilhões) e Minas Gerais (R$ 3
bilhões).
Da mesma maneira, o esforço
em deslanchar uma questão vital para o desenvolvimento, a energia, com a
aprovação da retomada das obras de Angra 3 e da licença ambiental para as
usinas do rio Madeira. Registremos também a liberação de R$ 1 bilhão para o
programa nuclear da Marinha, o que será mais um passo para deixar o país em
condições de construir o primeiro submarino movido à energia nuclear.
Ao reduzir a TJLP de 6,5%
para 6,25% ao ano, o Conselho Monetário Nacional (CMN) colaborou com o empenho
em estimular os investimentos da iniciativa privada. “A redução dos juros de
longo prazo será um importante indutor para a implementação do PAC ”, disse o
presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrututa e Indústrias de Base (Abdib),
Paulo Godoy.
Certamente, para o sucesso
completo do PAC, ainda será necessário um aumento maior dos investimentos e,
sobretudo, uma redução dos juros de curto prazo - no momento, devido à
resistência encastelada no BC, ainda em níveis excessivamente altos, com suas
consequências deletérias sobre o câmbio.
Mas esse primeiro resultado
da política do presidente Lula não pode ser subestimado. Resta perseverar
nesse caminho. O que, certamente, não será difícil, com o apoio maciço do povo
brasileiro.
VALDO ALBUQUERQUE