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Lula: “o Programa Nuclear da Marinha é passo
extraordinário”
Presidente anunciou a liberação de R$ 1,040
bilhão para o
programa durante visita a Aramar
O presidente
Lula anunciou a liberação de um R$
1,040 bilhão para a Marinha concluir o projeto de
fabricação de motores de propulsão nuclear para submarinos. Segundo o
presidente, serão liberados R$ 130 milhões por ano nos próximos oito anos. “Eu
acredito que esse projeto pode ser embrião para tudo que nós precisarmos do
ponto de vista de energia nuclear e do ponto de vista de produção de energia”,
disse Lula, na terça-feira, durante visita ao Centro Experimental Aramar, do
Centro Tecnológico da Marinha, em Iperó-SP.
COMPROMISSO
“Desde a primeira
conversa que tive com o ministro Waldir Pires assumi o compromisso de que
vamos colocar os recursos necessários para que a gente possa concluir esse
projeto”, afirmou, reconhecendo que o projeto esteve atrasado, e que “se
colocarmos um pouco mais (de recursos), poderemos antecipar” o projeto. “No
nosso primeiro mandato tivemos que dedicar os primeiros quatro anos para
consertar o país, para arrumar a Casa”, acrescentou. “O dado concreto”,
prosseguiu, “é que já poderíamos estar muito mais avançados”. “Eu acho que
agora temos condições de concluir esse projeto e o Brasil pode se dar ao luxo
de ser um dos poucos países do mundo a dominar toda a tecnologia do ciclo de
enriquecimento de urânio”, destacou. “A partir daí, penso que seremos muito
mais valorizados enquanto nação, enquanto a potência que queremos ser”.
Lula avaliou que o
projeto da Marinha representa “um passo extraordinário do avanço tecnológico
do conhecimento do nosso pessoal”. “Só temos que colocar dinheiro para dar os
avanços necessários”, assinalou. “Temos profissionais, temos gente competente,
temos conhecimento. Agora, se estava faltando o dinheiro, não vai faltar mais
porque vamos colocar o dinheiro necessário”, garantiu o presidente. “Por que
não sonhar grande e dizer que queremos chegar até a possibilidade de ter um
submarino nuclear?”, indagou.
O Brasil detém o
domínio de toda a tecnologia do ciclo de urânio. O país, no entanto, não
possui ainda, em escala industrial, o chamado processo de “conversão”
(produção de hexafluoreto de urânio), necessário para a produção de energia. É
exatamente esta etapa do processo que a Marinha vem desenvolvendo em seu
Centro Experimental de Aramar.
Lula destacou que
o Conselho Nacional de Política Energética decidiu que a energia nuclear vai
fazer parte da matriz energética brasileira. “Vamos concluir Angra III e, se
for necessário, construir mais, vamos construir, até porque é uma energia
limpa, está provado que hoje temos segurança e está provado que o Brasil não
pode parar”, salientou.
Sobre o risco de
acidentes nas usinas nucleares, Lula minimizou a sua possibilidade: “não há
nenhuma possibilidade de acontecer um acidente no Brasil como aconteceu em
Chernobyl”, disse. “As experiências que nós temos com a energia nuclear, tipo
Angra é grande. Não têm dado acidente”, ressaltou. “Eu não acredito nisso,
porque temos conhecimento, temos tecnologia, temos gente altamente qualificada
para fazer o processo”, acrescentou Lula. “Nenhum de nós está livre de nada,
mas se ficarmos pensando assim, não fazemos absolutamente nada”, completou.
Ele destacou ainda
a importância das outras formas de energia produzidas no Brasil. “Temos a
eólica, a hídrica, biomassa, temos a diesel, temos a carvão”, lembrou. “Mas a
energia nuclear é uma energia já testada e aprovada no Brasil, é segura,
detemos tecnologia, por que não aproveitar?”, indagou. “Obviamente que vamos
sempre utilizar aquilo que for economicamente mais viável para o país e, hoje,
com a hídrica, tem um potencial extraordinário”.
Sobre o submarino
nuclear, Lula disse que “a nossa determinação é brasileira”. “Com a
determinação do Estado brasileiro, da Marinha brasileira, vamos utilizar todo
o nosso conhecimento para fazer aquilo que soubermos fazer, pensando no
Brasil”, destacou. Ele disse que os recursos para o projeto “não podem ser
vistos como gastos” mas como “investimentos”. Para Lula, “um país precisa ter
capacidade de investimento em ciência e tecnologia”.
CICLO
Lula ressaltou
“que o Brasil tem tudo para se transformar definitivamente num Estado
soberano, seja no reparo que temos que fazer nas nossas Forças Armadas, voltar
a equipá-las e preparar o Brasil para ter todo conhecimento do ciclo do
urânio”. “São poucos os países que têm a competência que tem o Brasil, e por
que não utilizar essa inteligência que está disponível, formada por nós, para
produzir coisas para nós?”, indagou. “E, ao mesmo tempo”, prosseguiu, “o
Brasil precisa ser um exemplo do mundo na questão da produção energética”.
“O exemplo que
estamos dando aqui, não apenas na questão nuclear, onde temos o sistema mais
moderno do mundo, mas, sobretudo, se a gente levar em conta a produção de
biocombustíveis, o Brasil – na minha opinião, isso será inexorável – será uma
grande potência energética nos próximos 20 anos no mundo”, concluiu.
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