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Timothy Bancroft-Hinchey, editor do Pravda:

“Não cabe à ONU nem à UE decidir nada a respeito da  província sérvia de Kosovo”

“O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, esteve em Lisboa para debater os principais assuntos internacionais, entre os quais a Palestina, África e Kosovo. Porém, relativamente a esta Província da Sérvia, não cabe nem a Ban Ki-moon, nem a Portugal, decidir qualquer coisa que seja”, afirma Timo-thy Bancroft-Hinchey, editor do jornal russo “Pravda”, em sua versão em português. 

“A leviandade com que se refere a Kosovo e a sua possível ou eventual independência é chocante, é imoral, é intrusivo, é intrometido e cria um perigosíssimo precedente, que vai contra tudo o que a ONU tem realizado no último meio século, particularmente o reconhecimento definitivo das fronteiras estabelecidas como pré-requisito de uma comunidade internacional que convive em paz”, prossegue Bancroft-Hinchey em seu artigo.

Na mesma direção de Ban Ki-moon, o finlandês Martti Ahtisaari, destacado pela ONU como enviado especial para Kosovo, apresentou um relatório defendendo a separação da província e que se instaure na região uma administração  ‘sob supervisão internacional’. Esta política, patrocinada pelos Estados Unidos, tem como objetivo aprofundar a interferência na região dos Bálcãs, próxima de grandes reservas de hidrocarbonetos.

Bancroft-Hinchey denunciou que a mídia servil aos Estados Unidos e à OTAN esconde a realidade da região desde a agressão contra a Iugoslávia em 1999, particularmente um dos seus capítulos mais perversos, a criação, com a ajuda de Boris Ieltsin e do Exército de Libertação de Kosovo. “O ELK nem era um exército mas sim um bando de oportunistas e terroristas e nem tinha nada a libertar, pois Kosovo nunca pertenceu, nem pertence, nem pertencerá a eles – na Albânia”, assegurou o jornalista. E acrescenta: “Fruto da política terrorista e assassina da Otan, que atentou contra o governo legítimo do país, encabeçado por Slovodan Milosevic, a província sérvia de Kosovo foi colocada sob a administração da ONU em 1999”.

 “A ONU e a União Européia não têm papel relevante na resolução desta questão, pois não tem jurisdição para alterar a Constituição da República da Sérvia”, alertou Timothy, advertindo que “qualquer forma de ‘independência’ de Kosovo abriria a porta para justificar um sem-fim de ‘causas’ e conflitos, pois definitivamente riscaria do mapa da diplomacia a noção de que as fronteiras já estabelecidas são invioláveis”.

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13/07/2007
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