Dona
Rosa, mãe de Honestino Guimarães
“Ver esses jovens
aqui hoje representa para mim a vitória dos estudantes,
que também é a minha e de meu filho”
A abertura da
plenária final do 50º Congresso da UNE foi marcada pela emoção dos estudantes
durante a homenagem ao ex-presidente da UNE, Honestino Guimarães, assassinado
pela ditadura militar. O momento mais marcante da homenagem foi o lançamento
de um documentário sobre a vida e a militância do ex-presidente da entidade e
sobre a luta estudantil na época da ditadura.
Entre os
convidados especiais, estava a mãe do líder estudantil, Dona Maria Rosa Leite,
acompanhada de seu outro filho, Norton Guimarães. Além de figuras como o amigo
pessoal de Honestino, o também ex-presidente da UNE, José Luiz Guedes, que
presidiu a UNE em 1966, pouco antes de Honestino.
Muito emocionada,
Dona Rosa agradeceu a homenagem e falou da vitória que significava aquele
congresso: “Na época de meu filho, os militantes se encontravam na
clandestinidade, tinham que criar estratégias para se esconder da polícia. Ver
esses jovens aqui hoje representa para mim a vitória dos estudantes, que
também é a minha e de meu filho”, declarou.
Para o irmão,
Norton, o 50º Congresso da UNE representa uma frase de Honestino, “ele dizia
sempre que podem nos prender, podem nos bater, mas quando voltarmos seremos
milhões”, destacou. “É isso que vocês representam, a força e persistência dos
jovens”, completou.
Quando as imagens
do documentário apareceram no telão, o silêncio tomou conta dos mais de 8 mil
estudantes que durante quatro dias agitaram o Ginásio Nilson Nelson, na
capital federal, onde aconteceu o congresso. Ao final do filme, os estudantes
entoaram palavras de ordens.
Com duração de 15
minutos, o filme se baseia em depoimentos de amigos e familiares de Honestino,
buscando ao mesmo tempo situar o espectador na luta estudantil brasileira
contra a ditadura. O documentário foi produzido pelo Centro Universitário de
Cultura da UNE (CUCA).
O goiano
Honestino Monteiro Guimarães e desapareceu no dia 10 de outubro de 1973, aos
26 anos, após ter sido preso no Rio de Janeiro pelas forças de repressão da
ditadura. Sua morte só foi oficialmente reconhecida quase 50 anos depois de
seu desaparecimento, em 12 de março de 1996.
Honestino começou
a militar em Brasília, onde foi preso pela primeira vez, em 1968, durante
invasão da UnB. Ficou dois meses em poder do exército e foi expulso da
universidade. Com o ato Institucional nº 5 (AI-5), passou à clandestinidade,
mas continuou lutando contra a ditadura até ser preso no Rio.