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Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo

Tragédia aérea anunciada

É lamentável a ocorrência de mais este acidente grave, que representa a maior tragédia aérea da história do País. Um Airbus A320 da TAM que pousava no aeroporto de Congonhas na noite de terça-feira, 17, saiu da pista, atravessou a avenida Washington Luís, bateu em um depósito de cargas da própria empresa e em um posto de gasolina e explodiu. Saldo: mais de 180 mortos, entre passageiros e tripulantes que vinham de Porto Alegre e pessoal em terra. As causas têm que ser rigorosamente investigadas.

É lamentável que esta tragédia tenha ocorrido em pouco espaço de tempo em relação a acidentes anteriores. Nos solidarizamos com as famílias das vítimas. Ao mesmo tempo, cobramos das autoridades mais responsabilidade com a segurança aérea e menos briga política.

Decorridos dez meses do último acidente aéreo – o da Gol-, nada mudou. A pista reformada de Congonhas, onde o airbus aterrissou, foi liberada para pousos e decolagens em 29 de junho sem as devidas condições necessárias, como as ranhuras que ajudam no escoamento da água da chuva e nas aterrissagens.

As primeiras investigações dão conta que o piloto do Airbus foi alertado de que era preciso pousar com cautela porque a pista estava molhada e escorregadia. Que não haja o jogo de empurra, que sempre acontece em casos como este. É fácil jogar a culpa no piloto, alegando ter havido falha humana. É preciso investigar muito bem tudo isso. Empurrar a decisão e fazer com que a responsabilidade seja sempre do piloto tem sido uma prática, mas não podemos tolerar mais argumentos deste tipo. É preciso agir rapidamente para que outras tragédias não mais aconteçam. O aeroporto de Congonhas não comporta mais tamanha carga de tráfego. Especialistas consultados afirmam que a pista é curta, sobretudo para grandes aeronaves. Se tivesse mais 500 metros, por exemplo, o acidente poderia não ter sido tão grave e as vidas poderiam ter sido salvas.

Há disputas políticas, todos sabemos. Formou-se a CPI do Apagão, mas as investigações não avançam um milímetro. Formam-se comissões de inquérito apenas visando os holofotes da mídia, sem nenhum efeito prático. As autoridades têm que deixar de lado os interesses políticos e pensar mais nos interesses do povo brasileiro. Caso contrário, tragédias aéreas e de todos os tipos continuarão acontecendo, para infelicidade de todos nós.

Eleno Bezerra é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e vice-presidente da Força Sindical
 

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20/07/2007
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