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Presos por desvios no BRB confirmam a mesma fraude em banco do governo de SP

Os cinco presos por participarem do esquema fraudulento que desviou cerca de R$ 50 milhões do BRB (Banco de Brasília) confirmaram em depoimento ao Ministério Público do Distrito Federal e à Polícia Civil que a mesma fraude era feita nos contratos com o banco paulista Nossa Caixa. De acordo com as investigações das autoridades do DF, o esquema funcionava por meio da contratação pelo BRB, sem licitação, da Asbace (Associação Nacional de Bancos), que subcontratava outras empresas como a ONG Caminhar, a ATP Tecnologia e Produtos e a FLS Tecnologia para prestar serviços aos bancos. Estas empresas realizavam trabalhos fictícios para receber o dinheiro.

Os envolvidos afirmaram que a Caminhar recebeu nos últimos dois anos cerca de R$ 8 milhões para realizar pesquisas para averiguar a satisfação dos clientes. Três funcionários da organização confessaram que eles mesmos preenchiam os formulários. Além dos funcionários, o presidente da Caminhar, André Luís de Souza Silva, e o secretário-geral da Asbace até junho passado, Juarez Lopes Cançado, confirmaram o esquema. Por coincidência ou não, o atual presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, indicado por José Serra, também preside a Asbace há três meses.

“A declarante às vezes comparecia ao apartamento de André Luís [dono da Caminhar] (...) onde preenchia questionários de supostas pesquisas de campo, às quais não existiam e se referiam ao banco Nossa Caixa e ao BRB. (...) [Ela] se recorda de já ter preenchido fichas de pesquisa, do Banco Nossa Caixa, relativa a diversas cidades, e que tais pesquisas eram feitas aqui mesmo em Brasília”, diz a transcrição do depoimento de Jeovana Drazdauskas Silva, publicado pela “Folha de S. Paulo” na última segunda-feira.

Ela afirmou que as falsificações eram feitas por ela com a ajuda do namorado, da irmã e do cunhado. Em seu depoimento, o namorado de Jeovana, Fabrício Santos, disse que “em relação a bancos do Estado de São Paulo, chegaram a preencher mais de 70 mil formulários, (...) sendo que André [dono da ONG] supervisionava o trabalho e entregava aos funcionários os gabaritos referentes às respostas que deveriam ser preenchidas em cada formulário”.

O dono da Caminhar reconheceu o crime, mas insiste em dizer que só fez um contrato com a Nossa Caixa. “A única pesquisa que a Caminhar [fez em SP] foi essa acima referida, no Banco Nossa Caixa; essa pesquisa teve três fases, recebendo por cada fase aproximadamente R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões”, diz o depoimento de André Luís.

Entretanto, o Ministério Público e a polícia civil do Distrito Federal discordam de André Luiz e denunciaram ao Gaeco, órgão do MP do Estado de São Paulo responsável pelo combate ao crime organizado, que existem “fortes indícios” de que o esquema montado em São Paulo envolve valores imensamente superiores do que no BRB.
 

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25/07/2007
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