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Informe Publicitário
Sindicato dos Metalúrgicos de
São Paulo
Metalúrgicos
boicotam Congonhas
Na
semana passada abordei aqui, neste espaço, sobre o acidente aéreo com o airbus
da TAM que matou quase 200 pessoas. Avaliei que isso era uma tragédia
anunciada, diante de tantas falhas no sistema e incidentes amplamente
divulgados pela imprensa. Eu poderia mudar de assunto, tratar de outras
questões também importantes, mas é difícil, diante de tantas informações novas
que surgem a cada dia, sobre as condições das pistas do aeroporto de
Congonhas, da caixa preta do avião, de depoimentos de pilotos, de
controladores de vôo e, de outro, da posição do governo, que já deveria ter
substituído os cabeças dos órgãos responsáveis pelo sistema aéreo brasileiro,
inclusive o ministro da Defesa, e que, somente diante das críticas e da
gravidade da situação, anunciou tímidas medidas emergenciais para diminuir o
movimento no aeroporto de Congonhas.
Não
bastasse tanto sofrimento e prejuízo, ainda somos obrigados a ouvir do
presidente da Infraero, que as passagens aéreas vão aumentar por causa das
mudanças anunciadas, que vão deslocar vôos para outros aeroportos do País.
Individualmente, a população e os passageiros não têm poder para impedir
tragédias como esta, mas, a consciência coletiva pode fazer muito para forçar
o governo a assumir uma posição digna, para evitar que tragédias como essa se
repitam. Decisões estritamente políticas nesta hora só empurram o problema com
a barriga. De nossa parte, em protesto, a diretoria do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo deliberou não mais embarcar em vôos com saída ou
destino por Congonhas.
Como
presidente também da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos,
estou orientando os dirigentes das entidades filiadas a não voar por
Congonhas. Entendemos que ainda há risco nas pistas do aeroporto e nos
sentimos inconformados com a posição da Anac, que contestou as medidas
anunciadas pela presidência da República.
Entendemos que é preciso construir um novo aeroporto, ou linha de trem, metrô
ou outro tipo de transporte sobre trilhos para se chegar com mais rapidez ao
aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, e com a urgência que o caso requer. Sem
esquecer que o aeroporto de Cumbica já está no seu limite e não pode se tornar
outro Congonhas.
Que a
perda de tantas vidas e a dor dos familiares e amigos não sejam em vão. O País
precisa de mais decisões sérias e honestas que atendam às necessidades e os
interesses dos brasileiros e de menos política de amigos.
Eleno
Bezerra é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos,
do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e vice-presidente da Força Sindical
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