Gusano diz ter participado no Chile de tentativa da CIA para assassinar Fidel
Castro
Em entrevista a rádio de Miami, o terrorista
gusano Antonio Veciana Blanch confessou que a CIA o convocou para participar
de uma tentativa de assassinato do presidente Fidel Castro durante uma visita
ao Chile, quando o chefe de Estado cubano iria reunir-se com presidente
chileno, Salvador Allende, em 1971. Veciana tem 79 anos e uma quilométrica
folha de crimes contra o povo cubano. Enquanto expunha parte de seus serviços
sujos em entrevista em Miami, o gusano disse que a CIA o informou com
antecedência de 10 meses a viagem que Fidel faria ao Chile, e orientou-o a
perpetrar o assassinato de Fidel durante uma conferência de imprensa,
assegurando o seu transporte com armas até Santiago em veículo diplomático dos
EUA.
Segundo o terrorista, os operadores da CIA
organizaram também para que o atentado no Chile empregasse dois elementos
credenciados como câmeras de uma televisão da Venezuela, os quais esconderiam
as armas no equipamento.
O gusano Veciana foi fundador do Alpha 66,
grupo terrorista arregimentado entre traidores cubanos a serviço da espionagem
ianque, cujo treinamento era feito em Porto Rico. O grupo aguardou uma invasão
armada a Cuba, o conhecido fracasso da invasão da Baía dos Porcos, em 1961.
Depois de três dias de combate, os traidores de Cuba foram derrotados, porém o
Alpha 66 foi mantido pela CIA. Os derrotados nessa aventura ficaram
ressentidos com o presidente John Kennedy por não ter permitido que a Força
Aérea dos EUA atacasse Cuba para encobrir o fracasso da CIA.
Ao pretender responder a uma entrevista do
ex-chefe da Inteligência cubana, ex-general Fabián Escalante Fonrs, Veciana
deu sua versão de várias atividades terroristas nas quais esteve implicado, no
programa “A noite se move”, de uma rádio de Miami. “A CIA participou da
preparação do atentado”, minimiza o gusano pretendendo mostar prestígio entre
os criminosos. No curso da entrevista de três horas, Veciana insistiu em
atribuir-se a direção da operação e deixar de lado seu rival Luis Posada
Carriles, que manejava operações da CIA a partir de Caracas. “Eu fui o
organizador, fui informado da viagem de Fidel ao Chile dez meses antes”.
Certo dia, “um agente da CIA me disse que
Fidel iria ao Chile e me perguntou se estava disposto a participar da
organização do atentado”, gaba-se Veciana.
“Voltei a Miami. Os assassinos seriam ‘El
Islaño’ Domínguez, creio que seu nome era Antonio, e Marco Rodríguez. Eu dei a
eles todas as formas para chegar a Venezuela, e na Venezuela havia certos
funcionários da Venevision que me deram todas as facilidades”, continuou
relatando. “A CIA sugeriu o uso da câmera, sugeriram fazer o atentado
aproveitando a conferência onde se encontrariam 600, 700 jornalistas”. Assim
Domínguez e Rodríguez “foram treinados como câmeras e lhes consegui as
credenciais da Venevision”.
PREPARAÇÃO E FRACASSO
Sobre a preparação dos terroristas, disse que
“tivemos que treiná-los, pois como eram cubanos, tinham que conhecer o
linguajar venezuelano... Estiveram em Caracas por 60 a 90 dias treinando para
que fossem indetectáveis como cubanos e sim como venezuelanos”, acrescenta.
Quando lhe perguntam: “Estas pessoas tinham
treinamento como atiradores, como assassinos?”, Veciana confirma: “Sim, eram
assassinos”.
Os dois pistoleiros disfarçados chegaram a
Santiago “muito antes de Castro e começaram a fazer entrevistas com
funcionários do governo do Chile como se fossem jornalistas venezuelanos”.
Repentinamente, Veciana admite que viajou “de
La Paz a Lima em um carro diplomático da embaixada dos Estados Unidos, com as
armas” ao assinalar que outros agentes norte-americanos saíram de Lima para ir
a Santiago de Chile para somar-se ao plano.
Sobre quem culpariam pelo atentado, explicou:
“Alguém me sugeriu: vamos colocar a culpa na União Soviética”, por supostas
divergências políticas.
O general da reserva cubano, Fabian Escalante,
relatou essa parte do plano em sua entrevista: “Tal qual Oswald foi usado como
bode expiatório no plano para assassinar Kennedy, Posada criou um plano em que
um co-conspirador fosse o bode expiatório do plano de assassinato de Castro.
Quando um impostor de Oswald foi enviado para ser fotografado no momento em
que entrava na Embaixada de Cuba na Cidade do México, ligando-o assim a Fidel
Castro, Posada utilizou um indivíduo parecido com um dos câmeras fotografados,
enquanto se aproximava de agentes dos serviços secretos da inteligência russa
em Caracas para falar com eles, quando, na verdade, só pedia fogo para acender
um cigarro”.
“O especialista dos serviços de
contra-espionagem, David Phillips, afirmou depois que essas fotos seriam
distribuídas pelo mundo, após o assassinato de Fidel”, acrescentou Fabián. “O
plano foi gorado quando os pistoleiros ficaram com medo no último momento”,
comentou sobre o desfecho do plano, Fabián Escalante.
No final da entrevista, Veciana demonstra sua inveja por
Carriles ser o atual herói da fauna mafiosa de Miami. “Posada não teve nada a
ver com isso. Ele era um pouco extravagante em sua atividade anti-castrista”,
comentou ao assinalar que a CIA o ensinou a manter-se “comportado”.