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Editorial

Já se disse que há vezes em que as águias voam mais baixo do que as galinhas.

Foi o que ocorreu com o nosso valoroso Senado ao votar o requerimento nº 630, segundo o qual a não renovação da concessão para a RCTV atenta contra “a manutenção das relações democráticas fundamentais do povo venezuelano”.

Que a mídia golpista, no Brasil, faça coro com as pretensões de sua extinta congênere na Venezuela é algo que se pode compreender sem muito esforço.

Porém, seria de esperar que o Senado da República - instituição que deveria primar pela serenidade e responsabilidade, já demonstrada, inclusive, em outros episódios - não cedesse à leviandade de imiscuir-se em assuntos internos de outro Estado, com base em posição tão inconseqüente.

A Venezuela possui uma legislação bastante semelhante à do Brasil quanto ao licencia-mento de rádios e televisões. Lá, assim como aqui, as concessões não são - e não seria democrático que fossem - vitalícias.

O prazo de licença da RCTV expirou, e durante o período em que a emissora desfrutou dessa concessão pública praticou toda sorte de irregularidades, chegando mesmo a fraudar imagens para fomentar a deposição violenta do presidente Hugo Chávez.

E não foi por outro motivo que o povo venezuelano pediu e agora aflui aos milhões às manifestações de apoio à decisão do governo de não renovar essa concessão.

Das quatro emissoras privadas que existiam na Venezuela, três tiveram suas licenças renovadas por mais cinco anos. Só a RCTV ficou de fora, fato reconhecido como normal, legal e legítimo por praticamente todo o mundo, passando pelo Parlamento Europeu, a União Africana e chegando até o presidente Uribe, da Colômbia.

A posição do governo Bush foi uma rara porém previsível exceção.

O Senado brasileiro irritou-se ao ser alertado por Chávez de estar agindo neste episódio como um “papagaio de Washington”. Mas a comparação feita no calor da contenda foi pertinente, exceto pelo presidente venezuelano ter usado inadequadamente a expressão “Congresso” ao invés de Senado.

Mas nossas águias senatoriais, valendo-se das lições do mestre Paulo Vanzolini, haverão de se redimir do mau passo dando a volta por cima para de novo ganhar as alturas.
 

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06/06/2007
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