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RCTV I
Como jurista não posso
deixar de chamar a atenção para um aspecto que, interessadamente, a mídia
safada faz questão de ignorar ao bradar contra a não renovação da concessão da
RCTV da Venezuela. Ocorre que o instituto da concessão é um tipo de contrato
administrativo pelo qual a Administração Pública faculta ao particular a
utilização privativa de um bem público, para que a exerça conforme a sua
destinação. Esse requisito é firmado por acordo de vontades entre concedente e
concessionário que estipula, entre outros, finalidades e prazo do contrato.
Daí a transferência à iniciativa privada da administração de um serviço não
implica em eternidade, se os fins na prestação não correspondem aos interesses
do concedente este pode não renovar, da mesma forma que o proprietário de um
casa pode não renovar o aluguel, pode até quebrar o contrato que implicaria em
pagar pelos danos, mas não renovar é um direito perfeito. A liberdade de
expressão, que muitos alegam em defesa da RCTV, não pode ser confundida num
discurso ideológico que escamoteia interesses e desvirtua os propósitos do
Estado. Está certo também o presidente Rafael Correa ao se opor ao jornal La
Hora e advertir sobre a obscuridade com que as concessões de rádio e tv têm
sido feitas.
Lorena Freitas - Recife
(PE)
RCTV II
Louvável a atitude do
presidente venezuelano Hugo Chávez ao acabar com a concessão da RCTV. Atitude,
aliás, altamente democrática, pois a maioria do povo apóia a ele - Chávez - e
não aos que conspiram contra seu governo. Além disso, está mesmo na hora de
calar a boca desses golpistas que, sob o falso manto da democracia, tramam
contra os interesses do povo e da soberania venezuelana.
Paulo Torres Alencar -
correio eletrônico
RCTV III
Essa choraminguela da
imprensa brasileira em torno do fechamento daquele antro de entreguistas
venezuelanos, chamado RCTV, não tem outros motivos senão estes: a profunda
identidade entreguista e a profunda identidade pró-americana. Os cães se
sentem ofendidos, lhes dói na carne, quando uma irmã gêmea sai de cena.
Coitados! Não foram advertidos na remota infância de que, mais cedo ou mais
tarde, a mentira, a farsa e a arrogância caem por terra. Coitados! A grita é
apenas medo. E identificação.
Mário Almeida de Souza
- São Paulo (SP)
Ditadura e imprensa
A implantação da ditadura
militar no Brasil, a partir de 1964, teve o mais amplo apoio da grande
imprensa brasileira. A Folha de São Paulo, o Estadão, o JB, O Globo e os
Diários Associados não só apoiaram, como participaram da articulação do golpe.
Após o seu desfecho, todos abriram seus editoriais em apoio ao golpe militar.
Ajudaram a impor 21 anos de mandos e desmandos, de prisões, perseguições e
mortes. Nesta etapa, também cresceu a prática da corrupção envolvendo as
empreiteiras, através das chamadas obras faraônicas. Nesta época, estava
assegurada a impunidade absoluta, pois considerava-se como subversão da ordem
qualquer declaração ou notícia contra autoridades. Neste ninho cresceram
inúmeras carreiras políticas que se tornariam vice reis em seus estados.
Sarney, ACM, Jorge Bornhausen e muitos outros são crias desta época e hoje
estão aquartelados no Senado Federal. E o mais grave, Temos a mesmíssima mídia
comandado as informações e desinformações no Brasil, como de resto em toda a
América Latina. A região foi dominada também por golpes militares na mesma
época, apoiado nas mídias locais e com o mesmo diapasão da CIA e embaixada
americana ocorrido no Brasil.
Luiz Fernando Carceroni
- correio eletrônico
Incompetência e mentiras
Por que eles se matam? Foi
com esse título que a revista Veja começou sua reportagem do dia 23 de maio
sobre a Palestina. Vamos voltar meses atrás quando os israelenses brigaram
entre si. Por que a Veja não usou a mesma frase? Por que a Veja não conta o
motivo verdadeiro desse conflito? Na realidade, quando o Hamas chegou ao poder
em uma eleição democrática, os EUA e Israel ficaram incomodados e decidiram
tirar o Hamas do poder. Os EUA impediram que o Hamas recebesse 50 milhões de
dólares que geralmente o governo palestino tem o direto de receber. Israel
impediu a entrada dos trabalhadores palestinos no território ocupado por
Israel. Ai criaram um problema econômico para o Hamas. Desde aquele momento,
os problemas começaram. Por que a Veja não contou essa história? Fatah e Hamas
sempre lutaram juntos contra a ocupação de Israel. A Veja está falando de uma
possível guerra civil. Engraçado, no Iraque já morreram mais de 600 mil civis
e os EUA não mencionam ainda a palavra guerra civil. Será que a Veja não vê a
diferença entre mais de 600 mil que morreram no Iraque e 60 na Palestina? Se
seguirmos o raciocínio da Veja nessa reportagem, então o mundo inteiro estaria
afogado numa guerra civil e ninguém sabe, pois em todos os países esse tipo de
conflito já aconteceu. Israel é mostrada como inocente, pois a Veja não fala
de massacres que foram cometidos pelo exército de Israel em Sabra e Shatila,
onde milhares de palestinos foram assinados. A Veja fala dos interesses nesse
conflito sem citar um nome como argumento. Mais uma reportagem da Veja cheia
de incompetências e mentiras.
Hussein Shuman - Santos
(SP)