Painel sobre
democratização da mídia
desmascara monopólios
Durante o Congresso
da UEE, os estudantes participaram do Painel “A democratização dos meios de
comunicação”, que teve como convidados o diretor de redação do Jornal Hora do
Povo, Carlos Lopes, e o jornalista Altamiro Borges.
Carlos Lopes falou
da atuação da mídia que apoiou o golpe contra o presidente venezuelano Hugo
Chávez, em abril de 2002, destacando que, “hoje em dia, a forma como os
monopolistas da imprensa falam em liberdade de expressão, é de tal maneira,
que significa um poder absoluto para eles. Eles podem dizer tudo, fazer
qualquer coisa, e se eles podem publicar qualquer coisa, então, qual é o papel
do Estado nessa história toda? É claro e evidente que o Estado passa a ser
eles. Tem gente que fala em quarto poder da imprensa. Eu diria que pelo menos
a tendência deles é ser o primeiro. Nós não vamos deixar, mas isso é outro
problema”.
“No Brasil, os
monopólios, no fundamental, são subsidiários dos monopólios americanos. Hoje,
existe uma situação nos Estados Unidos, em que basicamente quatro corporações,
a Viacom, a Disney e Aol Time Warner e a Murdoch, têm 90% do mercado de
jornais, rádios, TV’s, teatros, livros e discos. Esses monopólios americanos
de mídia estão diretamente relacionados a todos os outros monopólios, e alguns
diretamente”. E continuou: “Por exemplo, a General Eletrics é proprietária da
NBC, que é uma das três cadeias nacionais dos EUA. Qual é o principal negócio
da General Eletrics hoje em dia? É fabricar bombas nucleares. Carlos citou
ainda o jornalista Ernesto Carmona, que “publicou um artigo notando que 118
membros de conselhos ou diretoria dessas corporações de mídia são também
membros de conselhos ou diretorias de 288 multinacionais que são da mídia. São
da área do petróleo, da área bélica e evidentemente de universidades, já que
as universidades nos EUA são, antes de tudo, privadas”.
Altamiro Borges
falou da revista Veja, destacando que 30% do seu capital vem da empresa
Naspers, que financiou o apartheid na África do Sul. E questionou: “por que
pode ter propaganda do governo na Veja? O dinheiro é nosso, então tem que vir
para os nossos jornais”, afirmou, citando o Hora do Povo. Borges falou também
da não renovação da concessão à RCTV na Venezuela, e propôs “uma moção da UEE
de apoio e solidariedade ao presidente Chávez e à Venezuela”.
Na mesa esteve
também, Tiago Alves, do CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte) da UNE.