Copom reduz Selic em 0,5 ponto e juros reais continuam nas alturas
Mesmo com o câmbio desfavorável
à economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central
decidiu por um corte de apenas de 0,5 ponto percentual na taxa básica de
juros, a Selic, passando de 12,5% para 12% ao ano. O Copom nada mais fez do
que referendar o que já vinha sendo projetado pelo sistema financeiro, que
calcula a taxa de juros reais em 8,3% ao ano, a maior do mundo.
O presidente da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, considerou um “avanço”
o aumento do percentual de corte de 0,25 para 0,5 ponto. “A volta a esse
índice de redução, embora 12% ao ano ainda signifiquem um patamar elevado, é
melhor do que a manutenção de 0,25 ponto percentual” , disse. Contudo, segundo
Skaf, com a manutenção dos juros reais nas alturas “a vantagem de arbitragem
oferecida ao investimento especulativo continua de igual tamanho. Os juros
básicos de 12% ao ano não terão influência sobre a valorização cambial, nociva
a vários segmentos industriais exportadores”.
Um corte mais acelerado da Selic,
superior ao projetado pelo “mercado” de Meirelles, é avaliado como fundamental
pelo setor produtivo para aumentar os investimentos e reduzir as intervenções
do BC no chamado “mercado de câmbio”. Essas intervenções têm redundado em
aumento da dívida pública. Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI)
“além de reforçar o crescimento, a queda mais célere da taxa de juros diminui
os estímulos à arbitragem com a moeda brasileira nos mercados internacionais,
reduzindo a pressão sobre o real e a necessidade de intervenções cada vez
maiores pelo Banco Central no mercado local. As conseqüências do processo de
valorização excessiva e persistente do real são extremamente danosas para os
setor produtivo, em especial para a indústria”. A CNI também considerou
positivo o aumento do corte da taxa básica de juros.
“Esperamos que este resultado
signifique o encerramento da fase draconiana do Copom e ao mesmo tempo o
início de um processo de reduções mais vigorosas, para que a taxa Selic chegue
ao final deste ano pelo menos no patamar de 10%”, afirmou o presidente da
Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), Abram Szajman.
Na avaliação do diretor do
Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paul
(Ciesp), Boris Tabacof, “o momento não poderia ser mais oportuno para que o
Copom reduzisse a Selic em 0,75% ou 1,0%. Com uma queda mais acentuada, os
investimentos avançariam prontamente e o PIB poderia crescer acima dos 4,5%
previsto pelo governo federal para este ano”.
PAC
Crescimento esse que, para ser
viabilizado, o governo vem buscando mobilizar os mais amplos setores, mas que
tem encontrado como pólo de resistência principalmente os juros siderais de
Meirelles. Obviamente, para a retomada do desenvolvimento o primeiro passo
dado foi o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que recolocou no
centro da discussão, dentro e fora do governo, a atividade produtiva. Assim,
segundo levantamento feita pela instituição Contas Abertas, nos cinco
primeiros meses deste ano os investimentos do governo federal em obras e
compra de equipamentos totalizaram R$ 5,1 bilhões, um montante 26,2% superior
ao mesmo período do ano passado. Só no mês de maio foram desembolsados R$ 1,3
bilhão.
Sobre os dados da produção
industrial divulgados pelo IBGE no dia 5 – que registrou uma variação negativa
de 0,1% de março para abril e alta de 6% em abril em relação ao mesmo mês do
ano passado -, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)
avalia que “a indústria parece te consolidado um padrão de crescimento nos
primeiros quatro meses de 2007 correspondente a uma taxa anual de 4%. Notar
que no padrão anterior que prevaleceu em 2005 e em 2006, o crescimento médio
era de 3%”.
“Se já pode ser considerado um
fato a consolidação de uma nova faixa de crescimento da indústria, a
continuidade da tendência não é tão clara. Os indicadores correspondentes a
abril mostram que ao contrário do que se esperava, houve uma virtual
paralisação do crescimento com relação ao mês anterior na série com ajuste
sazonal, enquanto era esperada a continuidade de um processo de evolução que
já se prolongava por seis meses”.
VALDO ALBUQUERQUE