Entidades rechaçam argumentos das emissoras e exigem o cumprimento da
classificação indicativa
Mais de 20 representantes de
entidades entregaram ao Secretário Nacional de Justiça, Antonio Carlos Biscaia,
uma carta aberta em defesa da classificação indicativa dos programas
veiculados pelas emissoras de TV aberta do país. Assinado por 93 organizações,
especialistas e autoridades de diversas áreas, o manifesto ressalta o caráter
democrático da classificação, rechaçando o argumento das emissoras de
televisão de que ela atentaria contra a liberdade de expressão.
“É preciso reafirmar a
responsabilidade desses meios perante os direitos das crianças e dos
adolescentes”, afirmou Veet Vivarta, secretário executivo da Agência de
Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).
A entidade apresentou um
documento, apontando que a vinculação de horários de exibição de programas às
faixas etárias indicadas já é utilizada em outros países, onde autoridades
federais podem inclusive impor sanções às emissoras que descumprem essa regra.
No caso do Brasil, a portaria 264/07 do Ministério da Justiça tem caráter
apenas indicativo, transferindo a decisão para os pais.
“Não estamos tratando de
qualquer público, mas de uma parcela da população que exige um cuidado
especial e peculiar. A Classificação Indicativa também não é uma decisão vinda
de surpresa. Foi constituída em processo ocorrido ao longo dos últimos anos
para o qual inclusive as empresas foram convidadas”, ressaltou Domingos
Silveira, Procurador Regional da República no Estado do Rio Grande do Sul.
A Procuradora Federal dos
Direitos do Cidadão, Ela Wieko, reforçou a necessidade de ouvir a opinião da
sociedade brasileira sobre a qualidade da programação televisiva. Segundo a
procuradora, as reclamações sobre conteúdos apelativos ou em horários
inadequados são freqüentes e continuadas.