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Ministro da Ciência e Tecnologia:

“Só falta formalizar a construção de Angra 3”

“O Programa Nuclear é um dos esteios de um projeto de nação que vem sendo executado para que o Brasil seja um país mais justo, independente e desenvolvido”, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, durante a posse do presidente das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho.

Rezende destacou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) examinará o Programa Nuclear Brasileiro, no próximo dia 25, e deve formalizar a construção de Angra 3. “A expectativa é de que seja aprovada, até porque já há gente dentro do Ministério do Meio Ambiente a favor da energia nuclear”, afirmou. “O caminho a partir dessa decisão será muito amplo. Com ela e com os estudos que estão sendo feitos para construção de mais um conjunto de usinas no país teremos um enorme campo pela frente. Isso representa grandes desafios para todo o sistema nuclear. Teremos mais disposição e energia”, completou. 

INVESTIMENTOS 

O ministro destacou a tecnologia nacional de enriquecimento de urânio desenvolvida no Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e lembrou que o Brasil não pode desperdiçar suas reservas de urânio, nem o domínio do ciclo de processamento do minério para ser utilizado pelas usinas nucleares. “Nossas reservas dão para abastecer Angra 1,2 e 3 por pelo menos 520 anos, não podemos deixar essa riqueza debaixo da terra” avaliou Rezende. O Brasil é o sexto país em reserva de urânio no mundo, suas reservas somam cerca de 300 milhões de toneladas.

Sobre os investimentos para o enriquecimento de urânio em escala industrial, Rezende destacou: “o presidente Lula disse que não faltarão recursos para concluir a indústria e que não vai ser preciso exportar urânio para gerar divisas e pagar pelo programa”.

Inaugurada no ano passado, a fábrica de enriquecimento da INB localizada no município de Resende (RJ) já está em operação com as ultracentrífugas com tecnologia 100% nacional desenvolvidas pela Marinha, mas ainda necessita de investimentos para iniciar o processo em escala industrial. 

AUTO-SUFICIÊNCIA 

De acordo com o presidente da INB, vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, a meta da estatal é alcançar a auto-suficiência no ciclo do combustível nuclear, que inicia com a extração do urânio e encerra com a produção do elemento combustível que abastece as usinas de Angra. Com os investimentos, a INB espera fornecer, até 2010, 60% do combustível consumido por Angra 1 e 2.

“Como já temos tecnologia e profissionais de ponta, faltam agora investimentos para que possamos fazer das Indústrias Nucleares do Brasil uma das mais expressivas fabricantes de combustível nuclear do mundo, o que a meu ver é uma realidade não muito distante”, afirmou Tranjan.

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08/06/2007
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