Artur: “Crescimento com inclusão garante superávit da Previdência”
Condenando qualquer reforma que
retire direitos, o presidente da CUT, Artur Henrique, sintetiza a fórmula para
o fortalecimento da Previdência Social pública: “Crescimento + inclusão =
superávit”
“A Central Única dos
Trabalhadores acredita que o
desafio fundamental da Previdência Social pública é incluir em sua cobertura
aqueles brasileiros que estão fora. Mais da metade dos trabalhadores que
atualmente têm vaga no mercado – 53% – não contribuem para o sistema
previdenciário”, afirmou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique.
De acordo com o líder cutista, “esses números
nos permitem imaginar uma fórmula aparentemente simples para garantir a
sustentabilidade da Previdência sem que nenhum direito atual seja reduzido ou
eliminado. Com base em cálculos do Dieese e do Cesit/Unicamp, podemos
assegurar que se apenas 3% dos que hoje trabalham mas não contribuem para a
Previdência passassem a fazê-lo, a partir de um salário mínimo, haveria um
incremento de aproximadamente R$ 3 bilhões para os cofres. Estamos falando
aqui apenas de um empate entre a parcela de incluídos e a dos que estão do
lado de fora”.
Segundo Artur, um crescimento econômico mais
expressivo contribuiria nos esforços para a formalização de trabalhadores: “Na
verdade, ambos precisam estar combinados. Se as taxas anuais de elevação do
PIB tivessem sido 2,5% mais altas entre os anos de 1995 e 2005, acompanhadas
da criação de empregos correspondentes, todas as despesas previdenciárias,
exceto as assistenciais, seriam cobertas apenas com as contribuições de
empresas e trabalhadores”.
Se essa possibilidade existe, como comprovam as
projeções, acrescentou, “é uma grave miopia discutir a Previdência sempre
apenas pelo viés de redução de custos. Apela-se com freqüência para o
argumento de que a Previdência brasileira é generosa demais, que seu alto
custo impede o crescimento e, como conseqüência, a geração de empregos. O
nosso sistema previdenciário não é todo bondade. Aposentamo-nos a partir dos
60,8 anos de idade, mais tarde que a média chinesa (60 anos) ou a argentina
(60,10), por exemplo. Somos precoces, isso sim, no ingresso no mercado de
trabalho, já que muitos de nós são chamados à responsabilidade ainda
adolescentes, quando não crianças”.
RIGIDEZ
O valor das aposentadorias e pensões, alertou o
presidente cutista, “é outra evidência de que as regras aqui vigentes são
rígidas: 67% delas correspondem ao piso de um salário mínimo. As demais
tiveram seus valores fortemente reduzidos após a instituição do fator
previdenciário, em 1998. As mulheres recebem em média 35% menos do que
receberiam caso não houvesse o fator. Para os homens, a queda foi de 22%.
Regras equivalentes ou até mais restritivas que a de muitos países
desenvolvidos, porém em cenário socioeconômico muito diverso. Pelo coeficiente
Gini, somos a terceira pior distribuição de renda do planeta”.
Ainda assim, destacou, “o sistema
previdenciário brasileiro, se não existisse como definido pela Constituição de
1988, até 70% dos idosos brasileiros viveriam abaixo da linha da pobreza, com
menos de U$ 2 por dia. Essencial dizer que o orçamento da seguridade social –
compreendida como a cobertura previdenciária, de saúde, assistência social e
seguro-desemprego – já é superavitário. Tomando como base o ano de 2006, o
conjunto de receitas da Seguridade Social (contribuições para INSS, Cofins,
CPMF, CSLL, concursos de prognósticos e PIS/Pasep) somaram R$ 301,7 bilhões.
As despesas, R$ 229,4 bilhões. Um superávit, portanto, da ordem de R$ 72,2
bilhões. Nem mesmo a indigesta DRU (Desvinculação de Receitas da União), que
tomou R$ 33,7 bilhões desse resultado, conseguiu jogar a Seguridade no
vermelho”.
Com tais dados, somados ao
perfil da pirâmide etária brasileira, enfatizou Artur, “estão dadas as
condições para que o debate em torno do tema supere o mantra da redução de
custos. A maciça maioria da população ainda está abaixo dos 45 anos de idade.
Se incluída a partir de agora, o sistema previdenciário terá sobras de
recursos nas futuras gerações. O que precisamos é possibilitar a inclusão de
todos os trabalhadores na Previdência”.