Serra anuncia privatização do rodoanel e mais seis
rodovias
Governo do Estado confirma
que entregará rodovias do corredor de exportação para a iniciativa privada.
Apenas entre os anos de 1994 am 2005, os pedágios em São Paulo subiram 210%
acima da inflação. Tucanos também aumentaram de 11 para 153 o número de praças
de pedágios no Estado
Não contente com os lucros abusivos que as concessionárias das estradas paulistas extorquem dos motoristas e da
produção, o secretário dos Transportes de José Serra, Mauro Arce, anunciou que
o governo de São Paulo pretende privatizar mais sete rodovias até o final do
ano. Dentre elas, quatro fazem parte do corredor de exportação paulista, uma
das principais rotas de exportação do país que, além de São Paulo, atende
também a uma parte do sul do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
As rodovias que estão sendo preparadas para privatização
(a Ayrton Senna/Carvalho Pinto, junto com a interligação com a Via Dutra; a D.
Pedro I, junto com o Anel Viário de Campinas; a Tamoios e parte da Raposo
Tavares, na região de Presidente Prudente) são a interligação do interior
(produtivo) do Estado ao Porto de São Sebastião (escoamento).
No pacote entraram também duas rodovias do interior e o
trecho oeste do famoso Rodoanel, o único pronto até agora, que liga o sistema
Anhangüera-Bandeirantes à Régis Bittencourt e que deveria servir para
descongestionar o trânsito na capital.
Um estudo realizado em 2005 pelo Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), alertou para o fato de que, a despeito de terem
recebido as rodovias em perfeitas condições, porque foram reformadas pelo
Estado, desde 1994, as concessionárias aumentaram as tarifas dos pedágios de
São Paulo em 716%. Descontada a inflação do período pelo IPC-Fipe (que
registra a oscilação dos preços em São Paulo) o custo real dos pedágios no
Estado subiu 210% acima da inflação durante este onze anos. Mais do que
triplicou em valor.
Quanto à quantidade, quando iniciou o governo em São
Paulo, em 1994, o PSDB encontrou 11 praças de pedágio em todo o Estado. De
acordo com o Ipea, em 2005 eram 153. Quase a metade das praças de pedágio do
país inteiro que eram 321.
Isso, num estado pelo qual passa boa parte da produção
brasileira e que representa mais de 30% das exportações.
Dentro do programa de privatizações do governo Serra
entra ainda o Porto de São Sebastião, considerado a terceira melhor região
portuária do mundo por causa das condições naturais de extrema segurança à
navegação. De acordo com o Dersa, administradora do Porto, o movimento atual é
de 400 mil toneladas/ano e este ano foram anunciados projetos de investimento
do Estado na ampliação da capacidade do Porto. Antes, é claro, de ser entregue
para “administração” privada.
MARIANA MOURA