Aurélio Rios: interesse
privado não pode estar acima do interesse público:
Procurador da República
defende revisão dos contratos de concessão das rodovias
“Está na hora de rever os contratos antigos e fazer o
reequilíbrio econômico em favor do usuário. Deve-se tratar desse equilíbrio
pensando no interesse público”, afirmou o subprocurador geral da República,
Aurélio Rios, sobre as tarifas extorsivas cobradas pelas concessionárias que
administram os pedágios, em reunião na última terça-feira em Curitiba,
coordenada pelo governador do Paraná, Roberto Requião.
Para Rios, os contratos estão fundamentados em parâmetros
econômicos e técnicos ultrapassados e, por isso, precisam ser revistos. “O
equilíbrio econômico também deve ser praticado em benefício do usuário. Quando
se criou esta tese, foi para manter sempre o lucro das empresas. Contudo, não
pode haver princípio de mão única”, acrescentou Rios.
O subprocurador rebateu a tese de que os contratos devem
ser respeitados mesmo quando há prejuízo para a população. Segundo ele, a
concessão só se justifica se garantir o desenvolvimento nacional e se servir
para erradicar a pobreza e assegurar a igualdade social. “A modicidade
tarifária está na constituição federal, onde também está garantida a livre
locomoção”, afirmou Rios.
O subprocurador Aurélio Rios lembrou que o interesse
privado não pode estar acima dos valores constitucionais e do interesse
público. “O que se busca é o equilíbrio. Não só o econômico-financeiro, mas o
cívico. Deve servir ao desenvolvimento do país sem inviabilizar a locomoção do
usuário”, defendeu o subprocurador.
Rios ainda defendeu que a população opine sobre a
privatização dos pedágios através de um plebiscito. “É o princípio da
democracia direta. Eu sugiro democratizar a discussão sobre a conveniência ou
não; consultar a população para ver qual modelo ela deseja”, disse.
R$ 7 BILHÕES ARRECADADOS
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem
(DER), no Paraná, somente no ano passado a arrecadação das concessionárias foi
de R$ 735 milhões. “Considerando esse faturamento de 2006 e os nove anos em
que as concessionárias estão explorando as rodovias chegamos ao faturamento de
R$ 7 bilhões. Se retirarmos esses cerca de 40% que a Casa Civil da União
demonstrou ser possível, concluímos que as concessionárias cobraram R$ 3
bilhões a mais do povo do Paraná”, denunciou o governador Requião.