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Nigéria processa Pfizer pela morte de 11 crianças  usadas como cobaias para testar seu medicamento

O Governo da Nigéria abriu um processo contra a multinacional americana Pfizer - cabeça do cartel mundial dos fármacos - por testar remédios fatais em crianças no país na década de 90. A Pfizer aproveitou para realizar seus experimentos criminosos durante um surto de meningite ocorrido na Nigéria naquele período.

Com o avanço da epidemia em 1996 em Cano, no norte da Nigéria, abriu-se o espaço para a ação ilegal da multinacional. Segundo o governo Nigeriano, o experimento teria matado pelo menos 11 crianças e as outras sofreram diferentes formas de seqüelas permanentes, inclusive danos cerebrais, cegueira, paralisia, surdez , distúrbios psíquicos entre outras.

O medicamento usado foi o antibiótico “Trovan” (trovafloxaciona), que nunca havia sido testado antes em crianças. O Trovan pertence à família de antibióticos das “quinolonas” e tem o seu uso proibido em crianças no mundo todo por seu alto grau de toxidade. Apesar de saber disso, a Pfizer utilizou a droga em crianças nigerianas. O país africano afirma que a empresa americana selecionou as crianças para se tornarem cobaias involuntárias de um antibiótico novo e não comprovado, sem o consentimento prévio e sem que seus pais soubessem sobre os possíveis efeitos colaterais da medicação. O relatório do governo afirma que as famílias dos pacientes não foram informadas que o “Trovan” era experimental. O medicamento foi testado sem a obtenção das aprovações necessárias por parte das autoridades competentes do país. A Pfizer alegou que os testes teriam sido aprovados pela Comissão de Ética do hospital onde eles seriam realizados. O governo da Nigéria desmentiu a alegação argumentando que o hospital citado pela Pfizer nem mesmo possui uma Comissão de Ética. O “Trovan” nunca chegou a ser aprovado para uso em crianças nos EUA e, na Europa, ele foi proibido para uso inclusive em adultos, por sua hepatotoxidade.

O Artigo 7 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos prevê que: “ninguém será sujeitado a tortura ou a tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante. Em particular, ninguém será sujeito sem seu consentimento voluntário a experiências médicas ou científicas”. Diante do dano causado pela companhia, o país africano exige uma indenização de US$ 6,95 bilhões pelas aberrações causadas pela Pfizer.  

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08/06/2007
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