Caracas: estudantes
pró-RCTV fogem de debate público
durante sessão na Assembléia
Nacional
Na quinta-feira, dia
7, a Assembléia Nacional da Venezuela (Congresso Nacional), atendendo ao
pedido dos estudantes que se manifestaram contra a decisão do governo de não
renovar a concessão da RCTV, realizou uma sessão especial para que eles
apresentassem seus pontos de vista e debatessem com colegas que têm outras
opiniões. Tudo perante as câmeras de todas as grandes redes de TV e a
assistência de jornalistas da imprensa escrita e do rádio, para não deixar
lugar a dúvidas sobre a liberdade de expressão.
Na ocasião, o
estudante da Universidade Metropolitana, Douglas Barrios, leu de forma
inexpressiva um texto de três páginas que trazia escrito, questionando o
“fechamento” do canal, enquanto outros que vinham com ele faziam um tea-trinho.
Repetiam frases e tiravam as camisetas que vestiam. Logo depois, a estudante
de direito da UCV, Andreina Tarazón, interveio, afirmando que o governo tomou
uma decisão soberana, que o canal não tinha sido fechado e que era interesse
de toda a população se defender do golpismo, da mentira, da pornografia e do
ataque aos princípios nacionais.
Quando terminou a
falação da jovem, a outra representação estudantil se retirou em fuga do
local, apesar de que a presidente do Congresso, a deputada Cilia Flores, os
ter convidado a exercer o direito à palavra.
No dia seguinte, a
fuga se esclareceu. Ficou público que Barrios leu – e seus colegas
interpretaram – um roteiro elaborado pela agencia ARS Publicidade. A direção
da referida empresa é composta por Guillermo Zuloaga, que é presidente do
canal Globovisión, aliado da RCTV e parente de Maria Corina Machado, líder da
ONG Súmate, notória golpista; por Fernán Frias Palácios, diretor do Banco
Exterior, ligado a capitais estrangeiros; e por diretores da Universidade
Católica Andrés Bello, onde se concentraram grupos de “guarimberos” (pessoas
que provocam furdunço).
Foi também lembrado
que a ARS Publicidade soltou inúmeras mensagens de apoio a todos os golpistas
que se envolveram no golpe de abril de 2002 e foram rapidamente realocados em
seus devidos lugares.
“Esses estudantes
esperavam que a Assembléia lhes negasse o direito à palavra para poder dizer
que é antidemocrática. Quando foi o inverso o que aconteceu, eles tiveram que
comparecer, mas sem saber o que dizer e acabaram fugindo”, disse Cíntia.