Governo anuncia crédito de R$ 3 bi com juros baixos para fortalecer setores
prejudicados pelo câmbio
“Abre-se uma janela para
empresas que, sob pressão da valorização do câmbio, possam ganhar fôlego e
investir”, afirmou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho
O governo federal anunciou no dia
12 o Programa Revitaliza, um conjunto de medidas para fortalecer os setores
industriais considerados “grandes geradores de emprego”, envolvendo um total de
R$ 3 bilhões até o final deste ano. O grande financiador do projeto será o
BNDES a juros baixos.
O Revitaliza vai atender em
especial os fabricantes de calçados, artefatos de couro, têxtil, confecções e
móveis, setores prejudicados com o câmbio desfavorável - motivada pelos juros
altos praticados pelo Banco Central. Segundo o Ministério da Fazenda, o
objetivo do programa será “combater os efeitos da sobrevalorização cambial e
combater a concorrência predatória”, tendo como instrumentos a “redução do
custo financeiro, desoneração tributária e alteração na tributação sobre
importações”.
“Essas medidas são importantes
para reduzir o impacto da valorização do real. Elas vão reduzir o custo e dar
competitividade a essas empresas”, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
“São linhas de crédito especiais
com taxas muito reduzidas quando comparadas às taxas de mercado e às próprias
linhas normais do BNDES”, afirmou Luciano Coutinho. “Abre-se uma janela para
empresas que, sob pressão da valorização do câmbio e com dificuldade de
competir, possam ganhar fôlego, investir em processos e melhorar a qualidade e
diferenciação de seus produtos”, completou o presidente do BNDES.
As linhas especiais de
financiamento do BNDES serão voltadas para capital de giro, investimento e
exportação para empresas com faturamento bruto anual de até R$ 300 milhões. Os
financiamentos contarão com bônus de 20% sobre os juros que variam de 5,6% a
8,5%, de acordo com os prazos de pagamento.
Na área tributária, 4.300
empresas serão beneficiadas com a redução do prazo para a apropriação dos
créditos do PIS/Cofins para a aquisição de bens de capital. Atualmente, a
apropriação deste crédito ocorre em 24 meses, e com o programa será permitido
“a apropriação imediata dos créditos na aquisição de bens de capital para as
empresas dos setores têxtil e confecções, calçados, moveleiro, eletroeletrônico
e automotivo”, diz o Ministério da Fazenda.
Também será ampliado o Recap
(regime especial de aquisição de bens de capital para empresas exportadoras).
Atualmente as empresas que exportam mais de 80% de sua produção têm direito à
suspensão do PIS e do Cofins na aquisição de insumos e bens de capital. “A
proposta é reduzir de 80% para 60% o percentual mínimo de exportações que gera
direito à suspensão de PIS e Cofins”, diz o programa.
O setor têxtil também será
beneficiado com a Tributação Específica das Importações de Vestuário. “A
Receita Federal vem constatando que o preço declarado em importações de
vestuário e seus acessórios estão abaixo daqueles declarados nas importações de
suas matérias-primas, caracterizando, portanto, fortes indícios de
subfaturamento”, diz a Fazenda. Com a nova medida, será adotada “uma tributação
sobre a quantidade importada ao invés de sobre o preço da importação”.