PSDB foge do voto em lista e sabota mudanças contra corrupção eleitoral
O plenário da Câmara dos Deputados decidiu,
nesta quarta-feira, adiar para a semana que vem a votação da reforma política,
após o impasse criado pela bancada do PSDB, que rompeu o acordo fechado pelos
líderes partidários de iniciar a discussão pela proposta de criação da lista
preordenada, pela qual os eleitores votam em uma lista de candidatos para os
cargos no legislativo que será elaborada pelos partidos.
O deputado Ibsen Pinheiro (PMDB/RS) defendeu o
sistema de lista preordenada, que em sua opinião é “um instrumento eficiente
para evitar a privatização do mandato público”. Segundo o deputado, o sistema
atual “está absolutamente falido” e o momento é oportuno para a aprovação das
novas regras, pois o novo sistema já seria aplicado nas eleições municipais de
2008.
“Foi uma puxada de tapete. A retirada do apoio
do PSDB alterou o resultado. Mas temos que votar a reforma política. O que
alguns (contrários à lista) estão comemorando é vitória de Pirro”, afirmou o
deputado Ronaldo Caiado (DEM-PFL/GO), relator do projeto. Além da lista
preordenada, o acordo previa colocar em votação o financiamento público das
campanhas eleitorais e a fidelidade partidária. No entanto, a bancada tucana
resolveu de repente fechar questão contra a lista.
Pelo projeto da reforma política, nas eleições
para deputado federal, estadual e vereador o eleitor dará seu voto a um
partido, que vai elaborar uma lista com aqueles que devem ser eleitos de acordo
com o número de vagas na Câmara dos Deputados, nas Assembléias Legislativas
estaduais e nas Câmaras Municipais. O projeto estabelece ainda que as listas
deverão ser submetidas à aprovação das convenções partidárias, com o objetivo
de tornar mais amplamente discutida a escolha dos candidatos, e com isso
fortalecer os partidos.