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“Não cabe ao delegado ficar passando informações para a imprensa”, advertiu Lula

O presidente Lula condenou o vazamento de informações sigilosas e incompletas da Polícia Federal, que podem conduzir ao prejulgamento de pessoas que são alvo de investigações. Durante entrevista em Guarulhos (SP), na terça-feira, antes de participar da abertura do 7º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT, o presidente alertou que primeiro vem a investigação, depois o indiciamento e depois o julgamento. “Até lá, são todos inocentes”, observou.

Perguntado se houve precipitação da Polícia Federal na Operação Xeque-Mate e no processo que envolveu seu irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, Lula respondeu: “Eu acho que há um equívoco, aliás, eu disse isso há uns 15 dias, numa entrevista coletiva. Eu dizia claramente que, na medida em que a Polícia Federal, que é uma instituição que tem um poder enorme, aumenta a responsabilidade... E não é possível que, se houver problemas internos dentro da Polícia Federal, esses problemas internos tenham como vítimas o trabalho legal que ela faz, porque é uma decisão judicial”.

“Ao delegado cabe investigar e encaminhar isso para o Ministério Público e indiciar os suspeitos. Não cabe a ele ficar passando informações para a imprensa. O que tenho observado é que as informações vão pingando na imprensa e as pessoas são execradas sem o direito de se defenderem”, lembrou.

“Eu vou repetir uma coisa que eu disse para vocês: eu estou fazendo um momento de reflexão do que está acontecendo no Brasil neste instante e com muita tranqüilidade. Primeiro, porque tem um processo de investigação, esse processo é sigiloso, mas é sigiloso, me parece, só para quem é vítima, porque aos olhos do mundo, a imprensa parece que recebe a informação primeiro que o juiz ou, quem sabe, até primeiro que o Ministério Público”. Lula defendeu “o cumprimento da lei, que vale para todos”, mas alertou que “hoje vocês estão aqui me perguntando, mas amanhã poderá ser um de vocês que estará na mesma circunstância, porque na hora em que se quebra o sigilo telefônico de alguém, podem pegar o telefonema de qualquer pessoa discutindo qualquer outro assunto, e até provar que a pessoa é inocente, a pessoa vai passar muito sofrimento”.

Ao comentar o envolvimento de Vavá com pessoas investigadas por ligações com o jogo ilegal, o presidente reafirmou: “Não acredito que Vavá seja lobista. Ele está mais para ingênuo”. “Se o Vavá foi a algum ministério e entregou papel eu só posso dizer para vocês que eu duvido que o Vavá tenha conseguido fazer algum lobby na sua vida. Eu duvido. Como eu conheço ele há 61 anos de idade, eu vou dizer pra vocês que eu duvido que o Vavá tenha feito lobby no governo”, assinalou.

“As investigações da Polícia Federal se preparam para encontrar um cardume de pintados. O Vavá parece ser um lambari nessa história. Qual é a vantagem? É um lambari especial, porque é o irmão do presidente”, continuou Lula, acrescentando que não comentaria o teor dos grampos telefônicos que mencionam o irmão.

Lula falou ainda sobre o relacionamento com a família e o irmão. “Fui ao Vavá há 15 dias e o achei abatido, envelhecido. Na próxima vez em que vier a São Paulo, vou visitá-lo outra vez. Tenho carinho especial. Ele é um paizão da família, cuida de todo mundo”, declarou, ressaltando que já chamou a atenção dos parentes para tentativas de pessoas querendo se aproveitar para ganhar vantagem no governo. “Obviamente que, pelo fato do Vavá ser meu irmão, ele desperta mais atenção do que um criminoso ou alguém que faça um lobby infinitamente maior neste país. Mas ele é meu irmão, então, ele tem que pagar o preço por isso. Só pelo fato de ser meu irmão, ele teria que ter mais responsabilidade, ele deveria saber das implicâncias que isso tem”.

Ao final da entrevista, Lula disse que “a Polícia Federal vai continuar investigando, todas as denúncias serão apuradas, o Ministério Público vai continuar agindo, e a Justiça vai continuar julgando. É assim que nós vamos construir este país”. 
 

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15/06/2007
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