Serra sonega repasse do ICMS para a USP, Unesp e Unicamp
Deputados denunciam que governo tucano não repassa o
aumento do ICMS às universidades, que perderam R$ 180 milhões nos últimos 4
anos. Só no primeiro trimestre do ano, Serra sonegou R$ 32 milhões
Em entrevista coletiva na quarta-feira (13), a bancada do PT na Assembléia Legislativa apresentou um estudo denunciando
que o governo do Estado deixou de repassar às universidades públicas estaduais
nos últimos 4 anos R$ 180 milhões. Somente no primeiro trimestre deste ano
foram sonegados à USP, Unesp e Unicamp R$ 32,2 milhões.
Com isso, o
governador José Serra (PSDB) está descumprindo a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO) no tocante ao repasse do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) às três instituições. Pela Lei, o governo é
obrigado a repassar mensalmente ao ensino superior público no Estado 9,57% da
arrecadação total do imposto. O líder da bancada do PT na Assembléia, deputado
Simão Pedro, explica que os sucessivos governos tucanos têm subestimado a
arrecadação do ICMS, que tem aumentado progressivamente. “Sorrateiramente, o
governo do Estado repassa apenas o percentual sobre o valor previsto no
Orçamento”, diz. “O que ocorre”, prossegue o parlamentar, “é que o ICMS tem
tido mensalmente uma arrecadação maior, ficando acima da previsão, e esse
excedente não está sendo repassado”, denunciou.
Outra manobra
utilizada por Serra para reter recursos para as universidades, segundo os
deputados, é o não repasse de valores obtidos com a renegociação de dívidas do
ICMS. O governo também não desconta dos repasses às instituições os incentivos
e isenções fiscais concedidos.
Os parlamentares
também criticam a falta de informações por parte do governo Serra acerca da
aplicação dos recursos do Estado. “Há muita dificuldade em se obter os
relatórios para acompanhamento da execução orçamentária. O governador Serra
tem feito esse discurso em relação às universidades, de que quer
transparência”, aponta o deputado Mário Reali. “Mas o que ele deveria colocar
em transparência ele não coloca. Ele gosta de controlar os outros, mas não
gosta que controlemos os seus gastos”.
“O que ele tem
feito é maquiar, diminuir, o que demonstra que ele não tem qualquer
compromisso com a expansão do ensino superior, com a melhoria da qualidade,
com investimento em ciência e tecnologia, em pesquisa”, diz Simão Pedro.
Além disso, os
deputados denunciam que o governo retém recursos, paralisando projetos
prioritários. “O que aconteceu com os investimentos da Linha 4 do Metrô, da
Linha 2, da duplicação da Rodovia dos Tamoios? Está tudo parado”, aponta Reali.
“Eles fazem um caixa para depois usarem em ano eleitoral”.
Para o deputado
Ênio Tatto, “quando você subestima a Receita, você dá margem para fazer uma
série de articulações dentro do Orçamento”. Segundo ele, “não dá para admitir
que no primeiro quadrimestre deste ano, se arrecada R$ 3,7 bilhões a mais e
dentro disso você não projete um reajuste de salário para o funcionalismo
público”.
“O Serra, assim
como os governos tucanos, neoliberais que acreditam que o Estado tem que se
retirar, que tem que ser pequeno, mínimo, para dar espaço para soluções de
mercado, é porque não acreditam que o Estado precisa investir em educação,
saúde precisa investir em desenvolvimento para o combate a pobreza e a
melhoria das condições de vida”, defende Simão Pedro.
JOSI SOUSA