Putin propõe defesa antimíssil conjunta no Azerbaijão e desmonta o pretexto de Bush
O presidente da
Federação Russa, Vladimir Putin, propôs a George Bush, durante a reunião do G8
realizada na Alemanha, a utilização conjunta da estação de radar “Gabala”,
baseada no Azerbaijão, como alternativa à pretensão da Casa Branca de instalar
seus mísseis e radares na Polônia e República Tcheca, sob o pretexto de montar
um “sistema de defesa” contra mísseis eventualmente disparados do Irã.
O governo russo
tem denunciado o plano de Bush de estacionar seus mísseis e radares em torno
das fronteiras da Rússia - e conjugados ao poder nuclear dos EUA - uma vez que
o Irã não possue mísseis com alcance de 5.000 a 8.000 km de alcance. “É claro
que esse sistema não é simplesmente de defesa. Trata-se de um problema para a
segurança Rússia”, afirmou o presidente Putin em entrevista antes da reunião
do G8.
Diante do anúncio
público de Putin, Bush ficou sem ação e apenas disse que a idéia era
“interessante”. Na ocasião, o presidente russo defendeu com informações
técnicas a sua oferta. “Gabala cobre completamente toda a região que preocupa
os norte-americanos”, disse durante uma entrevista coletiva ao final da cúpula
do G8.
O radar situado em
Gabala, a 250 quilômetros de Baku, capital de Azerbaijão, foi construído pela
União Soviética e “poderia ser usado para detectar lançamentos de mísseis por
outros países”. Putin acrescentou que “isso excluirá a ameaça de que destroços
de foguetes caiam sobre o território de países europeus, já que cairiam no
mar”. Em breves declarações à imprensa após a reunião, o presidente russo
disse estar “muito satisfeito com o espírito de franqueza da conversa” com W.
Bush.