Dirigente sindical Gloria
La Riva denuncia: “nos EUA 80 milhões de pessoas
não têm seguro saúde”
Gloria La Riva,
dirigente sindical norte-americana do setor gráfico, denunciou na
segunda-feira, dia 11, que mais de 80 milhões de pessoas carecem de seguro de
saúde no país.
Nos Estados Unidos,
prevalece o modelo de assistência privada à saúde. Os planos privados cobrem a
população norte-americana que está com emprego registrado mas, mesmo assim,
tem piorado tanto nos últimos anos que em regiões inteiras do país, o seguro
saúde é só pró-forma, denunciou Gloria.
“Hoje, existem mais
cidadãos sem cobertura de saúde do que em qualquer momento posterior aos anos
60, e outros milhões de pessoas descobrem, ao adoecer, que seus seguros deixam
muito a desejar”, assinalou. Como disse o cineasta Michael Moore, nos Estados
Unidos “o setor de seguros pratica uma fraude sistemática para otimizar os
lucros de seus acionistas, negando cobertura aos pacientes, a pesar de que
eles não tem outra alternativa”.
A sindicalista
revelou que o país mais rico do mundo só possui 135 hospitais públicos. “Pouco
tempo atrás fechou suas portas o único centro deste tipo existente em
Washington por falta de verbas”, relatou.
Referindo-se à
pequena repercussão que este assunto tem nos meios de imprensa dos EUA, Gloria
disse que “as grandes redes de televisão e os jornais são porta-vozes das
multinacionais. Eles não falam dos assuntos que interessam à população, falam
o que interessa ao Império. Eis ai um exemplo da ‘liberdade de imprensa’ no
nosso país”.
“O insaciável
apetite do Pentágono exige que sejam desviados fundos de programas públicos
como Segurança Social e Medicare para jogar recursos na guerra. Bush planeja a
eliminação total de 141 programas. Os cortes propostos no ano fiscal de 2007
terão impactos sérios sobre o Medicare, e o Medicaid, (para os inválidos e
maiores de 65 anos e para os mais pobres), sobre apoios para crianças pobres e
uma multidão de programas envolvendo trabalhadores”, acrescentou
La Riva, presente no
5° Congresso Internacional Cultura e Desenvolvimento, que se realizou em
Havana no final de semana passado, sublinhou em entrevista a agência Prensa
Latina que a cifra dada por Michael Moore em seu filme Sicko, de 50 milhões de
norte-americanos sem seguro público de saúde, está subestimada.
“Há pouco se
publicou um estudo comparativo sobre os dois últimos anos em matéria de saúde
e concluiu-se que 80 milhões de norte-americanos não têm seguro médico”,
assegurou, mostrando que “existe uma importante quantidade de pessoas que é
vítima de um desemprego continuado, e nesse transcurso de tempo não tem
cobertura de saúde”.