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Lugovoi revela detalhes da disputa entre Litvinenko e o chefe Boris Berezovsky

Andrei Lugovoi, que também já trabalhou para Boris, disse que “se algo me acontecer, será muito útil para Boris Berezovsky. E ele não vacila em recorrer a qualquer método”

Andrei Lugovoi, ex-agente da inteligência russa acusado pela procuradoria britânica de envolvimento com morte de   Alexander Litvinenko, em entrevista coletiva, forneceu elementos que mostram uma briga interna entre Litvinenko e o  Boris Berezovsky, chefe da quadrilha e operador de Yeltisin, para quem fez inúmeros serviços. “Litvinenko disse que possuía materiais importantes e comprometedores contra Berezovsky e que ele poderia enfrentar problemas graves se aquelas informações fossem publicadas, principalmente porque não teria como ficar na Inglaterra como refugiado político e sua volta a Moscou o deixaria muito encalacrado. Lá, ele iria para a cadeia”, declarou Lugovoi, assegurando que “não tenho dúvida de que se acontecer alguma coisa comigo, vai ser muito útil para Boris Abramovich Berezovsky. Tiraria as atenções de cima dele. E ele não vacila em recorrer a qualquer método quando o considera necessário”.

Lugovoi, que também operou como guarda-costas do mafioso russo, passou algumas horas com Litvinenko no hotel de Londres, Milenium, precisamente no dia fatal, quando começaram os problemas de envenenamento que levaram à morte o espião. O próprio Lugovoi foi internado com contaminação radioativa, mas sua saúde não ficou comprometida.  

CONTRABANDISTA DE POLÔNIO-210  

No depoimento, disse que Litvinenko, também exilado em Londres, queria pôr fim a suas relações com Berezovsky por estar insatisfeito com o dinheiro que recebia. “Litvinenko adquiriu polônio – 210 de contrabando e queria lucros altos, como era de praxe. A favor desta hipótese testemunha o fato de que no 1º de novembro do ano passado ele deixou indícios de radiação em todos os lugares que visitou, começando pelo escritório de Boris Berezovsky, mas nenhum de seus interlocutores sofreu danos de proporção. Além do que, seu amigo Mario Scaramella, italiano que tinha negócios com eles, confirmou que Litvinenko gostava de fazer esquemas com o contrabando de isótopos. “A futura vítima de polônio subsistia em Londres graças às propinas de Berezovsky e, por conseguinte, buscava ganhos complementares”, afirmou o articulista da agência Novosti, Vladimir Símonov, sugerindo que, prejudicada pela disputa dentro da quadrilha, a operação teria sido realizada pelo espião de forma precária e falha, provocando a contaminação mortal.   

 BOMBA ‘SUJA’  

“É bom acrescentar a informação que se filtrou na imprensa britânica sobre a autópsia. A dose superpotente de radiação que recebeu Litvinenko só podia ser proporcionada por uma quantidade de polônio – 210 que custaria não menos que 30 milhões de euros. É um pouco caro para perpetrar um assassinato”, argumentou Símonov.

Prosseguindo, o jornalista russo lembrou a afirmação realizada no programa do canal NTV com especialistas em energia nuclear, em dezembro passado. “Litvinenko estava em contato com um primitivo laboratório clandestino, onde se fazia a bomba nuclear ‘suja’ para os terroristas chechenos”, apontaram. Essas quadrilhas, chefiadas por Shamil Basáiev, com a ajuda de terroristas asilados e encobertos em Londres, e financiados pelo governo dos Estados Unidos, promovem o separatismo da Chechênia, uma das 21 repúblicas da Rússia, localizada entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Sob esse território passam oleodutos e gasodutos, o transformando em alvo cobiçado pelos Estados Unidos para deter o avanço do governo de Vladimir Putin que tem paulatinamente retomado para o Estado as riquezas do país.

“Um dos amigos íntimos de Litvinenko era Ahmed Zakáev [refugiado e protegido por Tony Blair em Londres], cabeça de um grupo de criminosos chechenos, que a procuradoria Geral da Rússia quer em Moscou por envolimento com assassinatos e torturas. O segundo fato que vale a pena mencionar é que há dois anos, aproximadamente, Berezovsky anunciou ao mundo que os separatistas chechenos já estavam perto, faltava pouca coisa, para construir a bomba nuclear. Essa ‘pouca coisa’ bem poderia ser o polônio – 210. Na opinião de especialistas, essa substância pode ser utilizada como detonador da bomba nuclear ‘suja’”, acrescentou Símonov, assinalando que Litvinenko poderia estar transportando esse componente ao secreto laboratório londrino.

SUSANA  SANTOS 

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15/06/2007
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