Corte nos EUA decide que é ilegal Bush declarar
cidadãos como ‘combatentes inimigos’
A Corte de Apelação
Federal de Richmond decidiu na segunda-feira, 11, que o governo Bush não tem
competência para declarar cidadãos no país como “combatentes inimigos” e a
instituição militar não pode mais mantê-los prisioneiros por tempo
indeterminado.
Ali al-Marri, um
cidadão do Qatar, foi detido em Charleston por 4 anos. Ele foi preso sem
acusação formal desde 2003 em Illinois. Nenhum contato foi permitido a Ali
al-Marri, nem com sua família, nem com advogados.
Sua ação judicial
foi arquivada e lhe foi negado o atendimento de necessidades básicas, além de
ter sido submetido a regime solitário. Os interrogadores o ameaçaram de
enviá-lo para Egipto ou a Arábia Saudita, dizendo que “ele seria torturado e
sua esposa seria violada na frente dele”. A juíza da Corte, Diana Gribbon Motz,
afirmou que “a detenção militar de al-Marri deve cessar”. “Durante mais de
dois séculos de crescimento e lutas, paz e guerra, a Constituição protegeu
nossas liberdades, com a garantia de que, nos EUA, ninguém será privado de sua
liberdade sem o devido processo da lei”, asseverou a juíza. “O presidente não
pode anular proteções constitucionais com o traço de uma pena proclamando um
civil, mesmo que ele seja criminoso, como um combatente inimigo submetendo-o a
uma detenção militar indefinida”, concluiu a juíza Motz.
A 4ª Corte de
Apelação Federal dos EUA , disse que “permitir esse tipo de autoridade
presidencial para ordenar aos militares capturar e manter civis encarcerados
indefinidamente, mesmo considerados ‘combatentes inimigos’.