Senadores pegam advogado de Mônica Veloso em contradições
O depoimento do advogado de
Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho, ao Conselho de Ética do Senado, na última
segunda-feira, foi marcado por bate-boca, acusações de chantagista e mentiroso
contra o advogado, que agiu em vários momentos com arrogância e prepotência.
Toda vez que era questionado com mais ênfase, dizia que não iria responder
mais as perguntas e, quando contrariado, menosprezava os membros do conselho
falando com ironia.
O momento mais quente foi
durante as indagações do senador Almeida Lima (PMDB/SE) que, com uma farta
documentação, acusou o advogado de Mônica Veloso de ter montado um dossiê para
chantagear o senador Renan Calheiros (PMDB/AL). Calmon havia afirmado em seu
depoimento que era advogado de Mônica desde 2005. O senador apresentou uma
procuração de Mônica Veloso para Calmon, datada de 3 de dezembro de 2004, para
processar Renan Calheiros. “Estou apresentado um documento que atesta a
mentira do depoente”, disse Almeida Lima.
O objetivo do senador era
demonstrar que a data da procuração batia com a solicitação feita por Calmon
ao perito Aidano Faria para degravar alguns CDs que continham conversas entre
Mônica Veloso, Renan e o amigo Cláudio Gontijo. Segundo a acusação de Lima, a
degravação serviria para pressionar o senador, que na época não havia assumido
que tinha uma relação extraconjugal. “Este aqui [o dossiê] é objeto da
chantagem” e “Renan Calheiros é a vítima de um processo de chantagem”, disse o
senador, afirmando ainda que o pai de Pedro Calmon Filho, também advogado, foi
à casa do senador Epitácio Cafeteira no dia audiência de conciliação da pensão
para exercer pressão contra o senador Renan Calheiros. “Ele (Calmon) vem
diante dos senhores senadores arrotar dignidade. É preciso que a OAB tome
providências, para saber qual a razão do senhor Pedro Calmon ir à casa do
senador Cafeteira antes da audiência de conciliação”, disse.
O senador Valter Pereira
(PMDB/MS) também acusou o depoente de mentir e assinar documentos simulados.
Ele estava se referindo aos recibos dos R$ 100 mil repassados pelo senador
como fundo de educação à filha. O advogado disse que o dinheiro era referente
a pensões atrasadas e admitiu que assinou um documento “pro forma”, mas que o
recibo tinha sido apresentado pelos advogados do senador. “A simulação, a
fraude é um crime”, disse o senador. “Nós queremos saber qual a sua
credibilidade. A partir do momento que o advogado parte para a simulação, para
a mentira, a credibilidade dele vai para o chão, vai para o lixo”, acrescentou
No mesmo dia, o amigo do
senador Renan Calheiros e funcionário da Mendes Júnior, Cláudio Gontijo,
prestou depoimento e afirmou que era o intermediário entre o senador e a
jornalista. Disse que em algumas vezes depositou o dinheiro repassado pelo
senador para Mônica e em outras entregou pessoalmente. O depoimento foi
suspenso e será retomado nesta quarta-feira.