Justiça confirma retomada da Ferroeste pelos paranaenses
Tribunal garante o
controle público da Estrada de Ferro Paraná Oeste, entregue por Lerner aos
estrangeiros e reestatizada pelo governo
Roberto Requião há 180 dias
Depois que o governador Roberto Requião (PMDB-PR) retomou o controle público da Estrada de Ferro
Paraná Oeste (Ferroeste), que completou 180 dias nesta segunda-feira (18), já
foram transportadas 700 mil toneladas de cargas - um resultado 4,2% maior em
comparação ao mesmo período do ano passado, quando a ferrovia estava sob
domínio privado.
“O atual modelo operacional da Ferroeste demonstra ao
Brasil que é possível estabelecer uma gestão pública de uma ferrovia,
inspirada, governada por princípios do interesse público, da defesa do
produtor, da redução dos custos de produção”, afirmou Samuel Gomes, presidente
da empresa. De acordo com Samuel, a Ferropar já oferece condições ao Paraná de
ampliar sua malha ferroviária, ligando as principais regiões, além do Mato
Grosso do Sul e de países como a Argentina e o Paraguai, com o Porto de
Paranaguá.
Como já era esperado, o Tribunal de Justiça do Paraná
manteve a decisão da Justiça de Cascavel que decretou a falência da Ferropar,
consolidando desta forma a retomada em definitivo da Ferroeste pelo governo
Roberto Requião. O recurso apresentado pela Ferropar foi julgado improvido,
por três votos a zero, pela 2ª Câmara Suplementar do Tribunal de Justiça.
Assim, o TJ considerou correta a decisão do juiz Rosaldo Elias Pacaganan, da
3ª Vara Cível de Cascavel, pelo fim da concessão. “A decisão, por unanimidade,
consolida o controle, a retomada da ferrovia pelo Estado do Paraná. Abre e
cria um clima de estabilidade para investimentos privados, dos usuários, do
governo federal, e do governo paranaense na expansão da malha, na aquisição de
vagões e locomotivas”, comemorou Samuel Gomes.
ARMAÇÃO
“A Ferropar era sócia oculta das concessionárias do
pedágio e a nossa luta é para estancar mais essa sangria imposta ao setor
produtivo, melhorando a qualidade dos serviços, trabalhando na ampliação da
frota, em melhorias nos terminais e estações e na expansão da malha
ferroviária. Para isso é fundamental esta confirmação do Tribunal da sentença
da Justiça de Cascavel que decretou a falência e com isso possibilitou a
retomada da ferrovia pelo governo Requião”, apontou.
Segundo o presidente da Ferroeste, agora, junto ao Plano
Plurianual (2007-2011), será realizado um investimento de R$ 2,2 bilhões na
malha. A ferrovia pretende adquirir oito locomotivas ainda neste ano. Em 2008
está prevista a construção de três armazéns. O primeiro, com capacidade de 120
mil toneladas, será construído junto ao terminal ferroviário de Cascavel, o
segundo em Guarapuava, com capacidade de 60 mil toneladas e o terceiro em
Paranaguá, com capacidade de estocagem de 30 mil toneladas.
A decisão do TJ, para o Conselho de Usuários da Ferroeste,
reforça a proposta do governador em ter uma política clara de gestão pública
da ferrovia. “Esse momento é importante porque pode ser o inicio de uma nova
jornada em que o Estado concentre investimentos na ferrovia dando alternativas
aos produtores da região do Oeste, e é um passo para se consolidar o projeto
do Corredor Oeste”, ressaltou Alcides Cavalca, presidente do Conselho.
“As propostas de expansão da Ferroeste, e a sua própria
construção, poderão servir de referência aos novos projetos de expansão da
malha pelo governo federal. A malha ferroviária brasileira hoje, que era da
RFFSA (Rede Ferroviária Federal), nas mãos da iniciativa privada está numa
condição precária. A Ferroeste pode servir de um balizamento para questões de
manutenção e um paradigma à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)
de um novo padrão de qualidade nas ferrovias brasileiras”, completa Alcides.
A farra das multinacionais que haviam açambarcado a
estatal teve fim no dia 19 de agosto do ano passado quando o governador
Requião devolveu a empresa ao povo paraense. “Vendida” em 1996 pelo desgoverno
de Jaime Lerner, a estatal estava sob o controle do grupo Ferropar, formado
por empresas estrangeiras e que tinha a Pround S/A e a ALL (América Latina
Logística) como carro chefe.
ADEMAR COQUEIRO