Investimento público: Combate à
criminalidade sob o comando do Estado
PAC vai investir R$ 1
bilhão na urbanização de favelas do Rio
As obras vão desde saneamento básico e construção de
moradias à pavimentação de ruas e instalação de postos de saúde e policiais. A
parceria prevê recursos do PAC e contrapartida do governo do Rio
Uma parceria entre
o governo federal e o governo do Estado do Rio de Janeiro irá transformar a vida dos cerca de 300 mil moradores
das favelas da Rocinha, do Complexo do Alemão e de Manguinhos com o projeto de
urbanização das favelas do Rio.
Através do PAC
(Plano de Aceleração do Crescimento), o governo federal irá investir R$ 960
milhões que, somados aos recursos do Estado, serão destinados à pavimentação
de ruas, obras de saneamento, construção de moradias, escolas, postos de saúde
e policiais e de áreas de lazer. Os recursos serão liberados pela Caixa
Econômica Federal, e as obras iniciam no dia 22 de outubro.
De acordo com Ícaro
Moreno Júnior, presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Rio de
Janeiro), o projeto de urbanização tem como principal objetivo o combate ao
tráfico: “A grande virada é exatamente isso. Você vai nas comunidades e quem
comanda na sociedade realmente são os traficantes. Então essa mudança para o
Estado tutelar, e isso, não só através das intervenções e sim das políticas
públicas, o Estado comandando”, afirmou Moreno Júnior, em entrevista ao
jornalista Paulo Henrique Amorim, no último dia 18.
ROCINHA
Serão realizadas
obras nas três favelas do Rio. À população da Rocinha será entregue um grande
presente: uma passarela criada por Oscar Niemeyer, que irá integrar a favela
com Gávea e São Conrado. Com 150 mil habitantes, na Rocinha também serão
construídos um centro de esporte e lazer e uma unidade hospitalar. Moreno
Júnior disse ainda que “nós selecionamos uma área de 5,5 hectares, no meio da
Rocinha, onde tem o maior índice de tuberculose, onde tem pouca ventilação,
pouca iluminação. E ali nós estamos trabalhando com ruas, transformando,
porque ela está muito adensada, e estamos construindo unidades habitacionais
de até três andares”.
Já estão previstos
450 apartamentos para acolher os removidos na Rocinha e, em Manguinhos, serão
prédios com 2 mil apartamentos. Para o presidente da União Pró-Melhoramentos
dos Moradores da Rocinha, William de Oliveira, “ninguém gosta de deixar sua
casa. Mas tem horas em que isso é preciso. A comunidade vai apoiar. Esse
projeto vai mudar a história da Rocinha”.
No Complexo do
Alemão serão investidos R$ 495 milhões, e a principal obra é a construção de
um teleférico, que tem a meta de facilitar a acessibilidade dos cerca de 100
mil moradores da comunidade. As ruas serão alargadas e o teleférico será
integrado às estações de trem e metrô. “Nós vamos passar, no mínimo, a ter
ruas de quatro metros a sete metros”, explica Moreno Júnior.
Segundo a Secretaria
de Estado de Obras do Estado, no Complexo do Alemão será criado ainda o Parque
Serra da Misericórdia, a construção de um grande lago, e o plantio de árvores
em uma área de 400 hectares.
MANGUINHOS
Em Manguinhos, será
urbanizada a Avenida Leopoldo Bulhões e a linha férrea será elevada a 3,5
metros de altura, permitindo a construção de um grande parque linear na região
e postos para a implantação de políticas públicas. “Nós vamos ter centro de
geração de renda”, disse Moreno. “Esse parque é um parque de integração. Nós
vamos buscar integrar e abrir. Você não tem mais muros, você abre e integra
esse binário da Uranos com a Leopoldo Bulhões”, explica. “O parque vai ligar
também com a Avenida Brasil, que hoje é longe”.
Na visita ao Rio de
Janeiro, na semana passada, o presidente Lula destacou que “é na concentração
de muita gente morando de forma inadequada, em condições inaceitáveis, com
criança repartindo lugar com rato e barata, que se forma a cabeça de uma
pessoa que nasceu para ser mulher e homem de bem. São essas condições de
moradia que levam a descaminhos que não gostaríamos”. No Programa Café com o
Presidente, dessa segunda-feira, Lula destacou a expectativa de investimentos
proporcionada pelo PAC, e afirmou que “nós vamos colocar R$ 40 bilhões nos
próximos três anos e meio na urbanização de favelas e em saneamento básico. A
partir deste ano, começa a aparecer esse dinheiro na praça, começam a ser
feitos os contratos com as empresas e começa a construção com a geração de
emprego e com a distribuição de renda”.
Para o governador
Sérgio Cabral, “estamos fazendo um programa social para ocupar meninos e
meninas nas comunidades. Vamos começar pelo Complexo do Alemão em função de
todo o enfrentamento que estamos tendo naquela região”. Cabral disse ainda que
“temos uma parceria muito sólida com o presidente Lula, que vai se desdobrar
para as comunidades do Rio em investimentos urbanísticos nunca feitos antes do
Estado do Rio de Janeiro”.
JÚLIA CRUZ