BNDES: dólar adverso inibe estratégias de investimentos
“A tarefa do BNDES de redinamizar a indústria de
transformação precisa contar com políticas que ajude na direção certa. É
importante poder se desfrutar no horizonte de uma taxa de câmbio mais
estável”, afirmou Luciano Coutinho
O presidente do Banco do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que a perspectiva de uma
continuidade da sobrevalorização do real inibe investimentos das indústrias de
transformação. Segundo ele, “a tarefa do BNDES de redinamizar a indústria de
transformação precisa contar com a coordenação de políticas de tal maneira que
a política macroeconômica ajude na direção certa. É importante poder se
desfrutar no horizonte de uma taxa de câmbio mais estável”, declarou, dia 18,
em reunião em São Paulo.
Na avaliação de Coutinho,
“os investimentos dessas indústrias poderiam ser mais volumosos se o câmbio
fosse mais favorável. Preocupa o impacto dessa perspectiva [do real mais
valorizado] sobre as estratégias de investimentos desses setores muito
eficientes”, disse.
Para o presidente do BNDES,
“a única ressalva que se pode fazer ao crescimento da indústria de
transformação é o fato de a taxa de câmbio ser um pouquinho desestimulante a
uma estratégia mais firme de investimento, não só pelo nível de valorização da
taxa, mas pela preocupação quanto ao risco de mais apreciação da taxa de
câmbio”.
Os empresários vêm alertando
que o câmbio adverso prejudica a indústria nacional, e defendem a redução mais
acelerada da taxa de juros praticados pelo Banco Central para reduzir a
entrada de dólares atraídos pelos juros mais altos do mundo. Segundo Paulo
Francini, diretor da Fiesp, “esse cenário de valorização, de mãos dadas com as
taxas de juros, é extremamente ofensiva à indústria de transformação, que tem
sua capacidade de exportação diminuída e também de oferta ao mercado
doméstico, dificultada pelo aumento da importação”.
Coutinho informou que o
governo irá anunciar novas medidas para estimular as indústrias que estão
sendo atingidas pelo câmbio adverso. No dia 12, o BNDES lançou o Programa
Revitaliza, uma linha de crédito de R$ 3 bilhões até o final do ano, a juros
mais baixos, para fortalecer os setores de calçados, têxtil, móveis, entre
outros, prejudicados pelo câmbio.
PROJETOS DO PAC
Na terça-feira, no seminário
“Perspectivas do Investimento 2007-2010”, no Rio de Janeiro, Luciano Coutinho
sublinhou que há um “início de ciclo de investimento em curso”, especialmente
nos setores industrial e de infra-estrutura. “As taxas de crescimento estão
razoáveis e mostrando condições de que o processo é sustentável”, frisou.
Ele ressaltou o crescimento
do papel do BNDES em projetos de investimentos do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), que passaram de 99 para 130 empreendimentos, em maio. Em
volume de recursos, de R$ 35 bilhões para R$ 55 bilhões. “É o investimento
firme que cria capacidade de oferta, ajuda a combinar crescimento acelerado
com estabilidade”, afirmou.
De janeiro a maio deste ano
o BNDES desembolsou R$ 19,1 bilhões em financiamentos, uma expansão de 39,8%
em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses (entre julho
de 2006 e maio de 2007), os financiamentos totalizaram R$ 57,7 bilhões, 26%
superior ante igual período anterior.
Desse último montante, R$ 30
bilhões foram destinados à indústria. Os principais setores beneficiados foram
os de metalurgia, material de transporte (setor aéreo e estaleiros), química e
agroindústria.