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Ted Kennedy: Casa Branca guindou fraudador de eleição a Procurador

Senadores Kennedy e Sheldon exigem abertura de inquérito sobre a participação de Tim Griffin nas fraudes que levaram Bush à Casa Branca em 2004. Griffin foi recentemente nomeado pelo usurpador para cargo de procurador no Arkansas

Os senadores norte-americanos Edward Kennedy, de Massachusets, e Sheldon Whitehouse, de Rhode Island, firmaram um documento conjunto exigindo, na segunda-feira, que o Departamento de Justiça dos EUA abra inquérito para apurar a fraude através dos atos de supressão ilegal em massa de registro de eleitores em bairros e povoados de grande concentração de afro-descendentes e latinos, os quais tradicionalmente votam nos candidatos democratas. No documento Kennedy e Sheldon denunciam o chefe de comunicação da campanha Bush-Cheney, Tim Griffin, como o operador das fraudes durante as eleições presidenciais de 2004.

Como recompensa pelo seu serviço sujo nas eleições de 2004, Griffin foi indicado no ano passado para o cargo de procurador  do Estado de Arkansas, sem a aprovação do Senado, no “lugar de um promotor federal altamente qualificado”, como afirmam os senadores democratas.

Griffin era também o braço direito do articulador político de Bush, Karl Rove, que renunciou ao cargo em abril do ano passado depois de seu envolvimento no escândalo do vazamento da identidade de uma agente da CIA, relacionada às mentiras de Bush sobre as armas de destruição em massa no Iraque usadas para a criminosa invasão. 

CASSAÇÃO DE ELEITORES 

“É de vital importância que o Departamento de Justiça investigue a supressão ilegal de eleitores”, escreveram os senadores democratas ao secretário de Justiça sobre a trapaça que o professor de Direito e filho de Bob Kennedy, Robert F. Kennedy Jr esmiuça: “Integrantes do Comitê Nacional Republicano – que faziam a campanha para Bush – pegaram a lista de todos os eleitores negros. Então envia uma carta-registrada para as casas deles. E se a pessoa não a assina na sua casa, a carta, esta é devolvida ao Comitê Nacional Republicano. Eles então se dirigem ao procurador-geral do Estado, que é um amigo indicado por eles, e republicano, pedindo a remoção do eleitor da lista com a alegação de que o eleitor não vive no endereço que designou ao preencher seu registro de votante”. Após as eleições de 2004, Kennedy Jr publicou na revista “Rolling Stone” a mais extensa e documentada denúncia da fraude então cometida por Bush.

Qualquer razão que leve esse eleitor a não confirmar o seu endereço na hora em que a carta-registrada chega em sua porta – viagem de férias, trabalho, ingresso em universidade, doença, serviço militar, ou simplesmente uma ida à padaria – serve de pretexto para a cassação de titulo eleitoral sem que ele nem mesmo fique sabendo disso, selecionando sempre bairros de população majoritariamente negra e latina. Pesa ainda o fato de que muitos desses eleitores não se proporiam a assinar uma carta vinda do Comitê Nacional Republicano.

Segundo o jornalista da BBC, Greg Palast, diante dos números recordes dos registros de eleitores negros e latinos, pró-democratas, em áreas tidas como “frentes de batalha” nas eleições, Rove montou um enorme esquema de cassação dos registros dos eleitores. A operação requeria, porém, a colaboração dos procuradores federais, para que esse fim fosse atingido.

De acordo com Palast, no total o Partido Republicano invalidou aproximadamente três milhões de eleitores, um ataque em massa aos direitos eleitorais das minorias, denunciando “que virtualmente ficou sem qualquer registro por parte da imprensa dos EUA”. Nas palavras do filho de Bob Kennedy, “eles desregistraram milhões de eleitores negros que nem mesmo souberam que haviam tido seu registro eleitoral cassado”.

Provas reveladas em e-mails já localizados indicaram que Tim Griffin foi um dos executores da ação fraudulenta mediante a qual Bush ususrpou a Casa Branca ao suprimir por este método excuso o registro de 70 mil eleitores, em 2004. Ele selecionou a zona eleitoral de Jacksonville, Flórida, bairro de população predominantemente negra.

Ambas as eleições que levaram Bush à presidência foram seguidas de avalanches de denúncias de fraudes eleitorais. Nas eleições de 2000, a recontagem manual dos votos na Flórida, que levava a uma diminuição progressiva e constante da diferença de votos entre Bush e o democrata Al Gore, e que determinaria o resultado das eleições a favor do candidato do Partido Democrata, foi abruptamente interrompida quando a diferença estava em apenas 154 votos a favor do republicano. Isso, no Estado governado pelo irmão do beneficiado pelas falcatruas, Jeb Bush. Já em 2004, no estado de Ohio - que também decidiria nacionalmente a eleição - milhares de pessoas, em sua maioria negras, relataram não ter conseguido votar. Um comprovado “erro mecânico” provocado nas urnas onde os negros votavam e que concedeu milhares  de votos a Bush também fez parte do arsenal de fraudes.

Sobre a indicação de Griffin ao cargo de procurador do Estado de Arkansas, sem a aprovação do Senado, no “lugar de um promotor federal altamente qualificado”, os senadores condenaram em sua carta ao procurador-geral Alberto Gonzalez: “É perturbador pensar que funcionários do Departamento tenham sidos indicados para procuradores dos EUA sabendo-se que esteve engajado em supressão selecionadamente racial de eleitores”.

“Além do mais, também é escandaloso pensar que altos funcionários tiveram conhecimento dessa prática e nada fizeram para denunciá-la a quem cabia denunciar”, acrescentam.

Em depoimento diante do Comitê Judiciário do Congresso a funcionaria, Mônica Goodling, responsável pela ligação entre o Departamento de Justiça e a Casa Branca, já havia admitido que o ex-Procurador-Geral, Paul McNulty relatou menos do que sabia - em seu depoimento ao Congresso - a respeito de seu conhecimento sobre o envolvimento de Griffin no caso de supressão de registros eleitorais na campanha de 2004. 

TESTEMUNHA 

Em seu testemunho, concedido com garantia de imunidade pela promotoria, Goodling disse que McNulty “não revelou o conhecimento que tinha das alegações de que Tim Griffin esteve envolvido em supressão de eleitores durante seu trabalho na campanha de 2004”.

Os senadores Kennedy e Whitehouse também exigiram uma investigação das duas agências que fiscalizam o Departamento de Justiça norte-americano para que apurem as violações de Griffin ao Ato de Direito Eleitoral e outras leis federais, já que o secretário de justiça, Alberto Gonzalez, também está envolvido no afastamento de nove procuradores federais através de perseguição política.

Os senadores também requisitaram investigação sobre envolvimento de outros funcionários do Departamento de Justiça nessas atividades ilegais.

Na quarta-feira outros senadores apoiaram a investigação sobre o caso: “Se o direito ao voto dos cidadãos está sendo ameaçado, penso que sem dúvidas é muito apropriado iniciar uma investigação”, declarou a senadora de Arkansas, Blanche Lincoln. “Há indícios suficientes que indicam que isso ocorreu. Os investigadores devem isso ao povo americano”, acrescentou.

Kennedy e Whitehouse são membros do Comitê Jurídico do Senado, que está conduzindo sua própria investigação sobre as improcedentes demissões realizadas por Gonzalez no ano passado de nove procuradores norte-americanos que se recusavam a parar investigações com base em denúncias contra políticos republicanos.

RODRIGO CRUZ

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21/06/2007
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