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Cuba homenageia heroína da Revolução, Vilma Espín

A homenagem à heroína cubana Vilma Espín, que alternou o registro de momentos de sua luta e sua atividade política com música e poesia, foi realizada em Havana, no dia 20, com a presença de seu esposo, o general do Exército e presidente em exercício do país, Raúl Castro, acompanhado de seus quatro filhos e familiares.

Vilma faleceu no dia 19, aos 77 anos de idade.

No teatro Karl Marx, se reuniram membros do Birô Político do Partido Comunista, dirigentes do governo, da Federação de Mulheres Cubanas, de organizações sociais. Milhares de pessoas desfilaram pelo monumento a José Martí, onde foi colocado um grande retrato da admirada combatente, testemunhando o carinho da população pela dirigente.

Mensagens de personalidades políticas, intelectuais e sociais e de organizações do mundo inteiro chegaram a sua família e ao povo cubano..

Publicamos os principais trechos do discurso em sua honra por José Ramón Machado, membro do Birô Político do PC e Vice-presidente do Conselho de Estado.

“Cumpro a triste e dolorosa missão de pronunciar estas sentidas palavras em nome da Direção do Partido e do Estado cubanos.

“Com profundo pesar, nosso povo rendeu hoje, ao longo do país, merecido tributo de recordação, respeito e carinho a uma das combatentes insignes da Revolução: à querida companheira Vilma Espín.

“O heróico assalto ao quartel Moncada deixou em Vilma uma marca particular. Mas foi a autodefesa de Fidel, ‘A História me Absolverá’, a que calou definitivamente nela. No laboratório universitário onde fazia sua tese leu o transcendental documento que lhe deu argumentos sólidos para a luta, valorizou e abraçou o programa revo-lucionário, ao mesmo tempo em que se convenceu das qualidades excepcionais de nosso máximo líder.

“É conhecida sua arriscada e tensa vida na clandestinidade, seu contato com Fidel no México para regressar a Cuba com importantes instruções e mensagens, os preparativos e seu batismo de fogo em 30 de novembro de 1956, e o apoio imediato ao nascente Exército Rebelde.

“Em companhia de Frank País esteve entre os primeiros a chegar à Sierra Maestra e em entrar em contato com o núcleo guerrilheiro, quando apenas a luta alcançava dois meses; ali participou em fatos decisivos; tive a oportunidade de me encontrar com ela na Sierra; lembro-a sempre diligente, comunicativa e credora da confiança da máxima direção da Revolução.

“Nos rigores dessa luta sem descanso sentiu em extremo a queda de seu chefe admirado Frank País; mas, não se intimidou, chamou a honrá-lo, ergueu-se continuou seu exemplo e prosseguiu com mais decisão e segurança na vitória final.

“Já então, na condição de integrante da Direção Nacional do Movimento 26 de Julho e sua coordenadora na antiga província de Oriente, em meio a um intenso labor organizativo e de ações revolucionárias,  se incorporou definitivamente ao Exército Rebelde na Segunda Frente Frank País, apenas fundada.

“Aqui a conhecemos muito mais de perto, e com a mesma entrega que na cidade a vimos na coordenação do movimento clandestino de Oriente com o território da Frente, em entrevistas e contatos com dirigentes nacionais e provinciais da organização. Distinguia-se pela sua capacidade organizativa, sua sensibilidade, sua preocupação por todos os assuntos.

“Alicia, Mônica, Déborah e Mariela foram seus pseudônimos na luta clandestina e na guerra, no triunfo da Revolução, nosso povo a conheceu pelo seu verdadeiro nome.

“Com a vitória do primeiro de janeiro de 1959 se iniciou para ela um combate mais longo ainda que os anteriores: a luta pela igualdade da mulher. Imersa em distintas tarefas, Fidel lhe encomendou a unificação das organizações femininas, processo que concluiu em 23 de agosto de 1960 com a constituição da Federação de Mulheres Cubanas que ela soube encabeçar com particular entrega. Foi desde então a mais querida, admirada e respeitada dirigente das mulheres cubanas.

“O que hoje desfruta a mulher com todo direito como suas mais legítimas conquistas, tem suas causas na essência da Revolução e no desvelo permanente de Vilma por alcançar, degrau a degrau, essa distinção humana.

“Não há conquista da mulher cubana ou da infância que não levasse seu selo, sua participação e defesa incessantes; não existia assunto que não a preocupasse e que com ela tramitasse, independentemente do setor que se tratara.

“Sua voz justiceira se alçou também nos mais diversos cenários internacionais para reclamar a igualdade da mulher e o direito das crianças do mundo, e lhe fizeram merecedora do reconhecimento das mais prestigiosas organizações femininas e organismos internacionais.

“Deixa uma marca inextinguível nas companheiras da direção da Federação. Era uma amiga, uma mãe, uma irmã, sem prejuízo algum de sua autoridade. Nela era permanente a consagração a cada tarefa, o detalhe por cada coisa, a constância no empreendido, a discussão franca e direta pelo que devia ser corrigido e superado. Era um exemplo dos dirigentes que exige a Revolução nestes tempos.

“Seu único e entranhável amor forjou-se no fragor do combate e nos ideais comuns da Revolução  e de cuja união matrimonial com Raúl, em janeiro de 1959, nasceram quatro filhos e oito netos por quem Vilma sentia particular orgulho.

“Viverá entre nós, com essa imagem natural que revelava confiança e otimismo na Revolução e no porvir luminoso da Pátria.

“Perante sua lembrança imperecedoura ratificamos o compromisso de sermos fiéis aos princípios e à causa que defendeu até a morte, incerta, como dizia Martí, quando se viveu bem a obra da vida”.

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21/06/2007
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