Conselho aprova retomada da construção de Angra 3
O Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE) aprovou, nesta segunda-feira, por oito votos a um,
a retomada da construção da usina nuclear Angra 3. A decisão será submetida ao
presidente Lula, que já se declarou favorável à energia nuclear como opção de
ampliação da matriz energética do país. A reunião contou com a presença da
ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do ministro interino de Minas
e Energia, Nelson Hubner.
As usinas de Angra 1 e 2
geram atualmente cerca de 2 mil megawatts, sendo a segunda maior fonte
geradora de energia do país responsável por 3,3% do total, à frente do gás e
do carvão. Angra 3 vai gerar cerca de 1,35 mil megawatts.
A construção de Angra 3 está
prevista no Plano Decenal do Ministério de Minas e Energia, que abrange o
período entre 2006 e 2015. Estudos preliminares do Plano Nacional de Energia
2030 (PNE-2030) sugerem a construção de quatro a oito novas usinas nucleares
nas regiões Nordeste e Sudeste.
O ministro Nelson Hubner
ressaltou que Angra 3 é a alternativa de menor custo para atender à ampliação
da geração de energia que o país necessita. De acordo com ele, o Ministério de
Minas e Energia vai elaborar um estudo detalhado de todos os custos que
envolvem a construção da usina, que deverá começar a gerar energia no início
de 2013. Conforme informou, o processo de licenciamento para a construção da
usina já foi encaminhado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), lembrando que o sítio onde Angra 3 será
construída já dispõe de licença.
A construção de Angra 3 está
estimada em cerca de R$ 7 bilhões, entre obras civis, compra dos componentes
nacionais, montagem eletro-mecânica, e a fase de testes operacionais de
potência. Com a retomada da construção da usina, até 9 mil empregos diretos
deverão ser gerados durante os cerca de cinco anos previstos para a conclusão
da obra, como informou o superintendente de Licenciamento e Meio Ambiente da
Eletronuclear, Iukio Ogawa. Segundo Ogawa, 30% do projeto de implantação da
usina foram efetuados antes de sua paralisação. “Nós já temos o canteiro
implantado, já tínhamos as escavações das fundações prontas. Elas estão
preservadas. Nós teríamos agora uma fase de renovar e efetuar novos contratos,
a parte de detalhamento de início de obra e obtenção das licenças”, disse.
SEGURANÇA ENERGÉTICA
Para a Associação Brasileira
da Infra-estrutura e Indústrias de Base (Abdib), “a retomada das obras é
fundamental para garantir mais segurança energética à matriz brasileira,
bastante concentrada na energia hidrelétrica”. Paulo Godoy, presidente da
Abdib, destacou que a construção da usina vai injetar mais de R$ 3 bilhões de
encomendas entre os fornecedores de bens e serviços. “Outro importante fator”,
disse Godoy, “é a manutenção do conhecimento e da tecnologia já desenvolvidos
por vários anos no Brasil pelas empresas de engenharia de projeto”.
A Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a decisão do CNPE é
“essencial para que o país possa crescer de forma sustentável e continuada”.