Medidas de Lula e do
Comando da Aeronáutica normalizam situação nos aeroportos brasileiros
A situação nos aeroportos
brasileiros voltou à normalidade depois das medidas adotadas pelo governo, na
sexta-feira, quando 14 sargentos controladores de vôo do Cindacta-1 foram
afastados pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, além do
anúncio de que um conjunto de medidas para assegurar o fluxo do tráfego aéreo
estavam sendo colocadas em prática. De acordo com a Infraero, entre a zero e
as 19h30 da segunda-feira, dos 1546 vôos programados, apenas 10,3%
apresentaram atrasos e 4,8% foram cancelados.
Na segunda-feira, em seu
programa semanal de rádio Café com o Presidente, Lula reiterou que o governo
não permitirá a indisciplina nem que passem terrorismo para a sociedade.
“Mediante esse fato de insubordinação, a determinação minha para o Comando da
Aeronáutica é colocar ordem na casa, faça o que tiver que ser feito, mas nós
precisamos manter o bom funcionamento dos aeroportos, a disciplina militar,
porque pra isso eles entraram nas Forças Armadas, se formaram sargentos e,
portanto, têm de respeitar a hierarquia e cumprir com a determinação que todos
os outros brasileiros cumprem”, afirmou.
Lula destacou que certamente
há uma maioria de controladores de vôo “que quer trabalhar, que quer prestar
serviço e que também é justo ele reivindicar melhoria das condições de
trabalho, agora, pra que seja atendido, primeiro é preciso fazer as coisas
voltarem a funcionar normalmente”. “Quero pedir a compreensão do povo
brasileiro, quero pedir a compreensão dos controladores, mas é preciso colocar
ordem na casa, não é possível de forma nenhuma o povo continuar sofrendo por
interesse de poucos”, disse.
Além do afastamento de
militares controladores de vôo do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle
do Tráfego Aéreo (Cindacta-1) em Brasília, a Aeronáutica também determinou na
semana passada a prisão do presidente e do vice-presidente da Federação
Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo (Febracta),
Carlos Henrique Trifílio e Moisés Almeida, respectivamente.
Em nota distribuída na
sexta-feira, o brigadeiro Juniti Saito relatou que um pequeno grupo de
sargentos controladores passou a recusar o trabalho nos equipamentos
disponibilizados, mesmo em choque com pareceres técnicos que asseguravam a
plena qualidade do serviço. O brigadeiro ressaltou que essa postura, “sempre
em horários de pico no tráfego aéreo”, resultou em consideráveis atrasos em
inúmeros vôos pelo Brasil. “Por outro lado, a estratégia de denúncias
constantes, bem como a divulgação de ‘boletins de segurança’ para os sargentos
controladores, por organizações pretensamente representativas de classe e em
flagrante desrespeito aos regulamentos militares, coloca em xeque a
Instituição, sua capacidade gerencial e a confiabilidade de um sistema que é
reconhecido internacionalmente pelos excepcionais resultados que apresenta”,
declarou.
Entre as medidas anunciadas,
está o remanejamento de pessoal de várias regiões do país, a colocação de
quatro Esquadrões de Comunicação e Controle em prontidão, ativação de rotas
especiais para o tráfego aéreo entre as regiões São Paulo – Rio de Janeiro –
Nordeste e ativação de um posto militar de controle aéreo para desafogar o
gargalo na região Rio – Brasília – Belo Horizonte e principalmente São Paulo.
O presidente convocou, no
final da tarde da segunda-feira, uma reunião no Palácio do Planalto com os
ministros da Defesa, Waldir Pires, e da Comunicação Social, Franklin Martins,
o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, os presidentes da Anac,
Milton Zuanazzi, e da Infraero, José Carlos Pereira. Lula ouviu um relato
“tranqüilizador” sobre a situação nos aeroportos e de que todas as posições de
controle estão funcionando no Cindacta 1. Ele determinou que as medidas
continuem a ser colocadas em prática e exigiu de todos “respeito ao usuário do
transporte aéreo”. Com isso, quer que todas as informações reais sobre a
situação do seu vôo seja dita ao passageiro, mantendo-o informado se o atraso
está ocorrendo por causa de retenção de fluxo, de falta de aeronave, de
tripulação, ou seja lá o que for.
Ainda na segunda-feira, o
relator da CPI do setor aéreo na Câmara, deputado Marco Maia (PT/RS), rechaçou
as declarações no programa “Fantástico”, da Rede Globo, do operador de vôo
suíço Christoph Gilgen, representante da Federação Internacional de
Controladores de Tráfego Aéreo (Ifataca), que disse que os equipamentos de
controle de tráfego aéreo no Brasil são ultrapassados.
“A CPI vai exigir que o
governo brasileiro tome medidas em relação ao posicionamento de Gilgen” disse
Maia. “Esse controlador atende a interesses de quem? Essa Federação
Internacional tem de ter o limite de suas responsabilidades e não pode fazer
afirmações levianas e desconectadas da realidade”, completou o relator,
sugerindo que o Itamaraty interpele a embaixada suíça para obter informações
sobre o controlador.