Que reformas a Previdência Social realmente necessita
Ao contrário do que
defendem os privatistas “argumentando” sobre demografia e déficit, a
Previdência, com a recuperação econômica do país, precisa que seus recursos,
definidos pela Constituição de 1988, sejam devolvidos
CARLOS LOPES
Examinando algumas
projeções feitas pela Secretaria de Políticas de Previdência Social (“Regime
Geral de Previdência Social: Projeções de Longo Prazo - junho de 2007”), é
fácil vir à memória a frase do velho fariseu Benjamim Disraeli: “Há três
espécies de mentira: mentiras, mentiras deslavadas, e estatísticas”. A
Disraeli também é atribuído o dito de que “a única estatística em que você
pode acreditar é aquela que você mesmo falsificou”. No entanto, a ciência
estatística, ramo respeitável da matemática, nada tem a ver com o cinismo do
primeiro-ministro da rainha Vitória. Nem com as projeções apresentadas pelo
titular daquela Secretaria do Ministério da Previdência Social, um economista
do IPEA, Helmut Schwarzer.
Razão tem o presidente da
CUT, Artur Henrique, ao comentar as sábias projeções de Schwarzer: “esses
números não servem para nada. A base de cálculo que vocês utilizaram é
equivocada. Por isso, o estudo nasceu errado. Não sei se esse estudo passou
pelo gabinete da Presidência da República, mas quero perguntar: vocês avisaram
o Lula de que o Brasil vai crescer por ano só 2,26% em média? Vocês avisaram
que o crescimento previsto pelo PAC, na visão de quem elaborou o estudo, será
apenas um vôo de galinha?”.
NUMEROLOGIA
Antes de entrar no assunto
abordado pelo presidente da CUT, examinemos brevemente como os privatistas da
Previdência lidam com as estatísticas. Detenhamo-nos, por enquanto, em apenas
um caso: a afirmação de que o brasileiro, já que sua expectativa de vida
atingiu 72 anos (71,9 para ser exato), deve trabalhar mais e aposentar-se mais
tarde – no mínimo aos 67 anos, sem direito a aposentadoria por tempo de
serviço.
Uma estranha afirmação,
pois, pelo menos no caso dos trabalhadores manuais, mantido o mesmo trabalho
de antes, a velhice o transforma em uma tortura.
A expectativa de vida varia
com a idade do indivíduo. Mas aqui, só por um momento, usemos o argumento dos
privatistas, ao usarem a expectativa de vida ao nascer. O número referente à
ela, divulgado pelo IBGE, não é da mesma qualidade daqueles de Disraeli. É um
número significativo, no que se refere à taxa de mortalidade da população (a
expectativa de vida é uma variável dependente da taxa de mortalidade). No
entanto, sua manipulação justifica plenamente a afirmação de um ministro da
área econômica na época da ditadura, segundo o qual “estatísticas são melhores
do que a espada de Napoleão; com esta, podia-se fazer tudo, menos sentar-se em
cima; com as estatísticas, até isso é possível”.
A pergunta é: que brasileiro
nasce com uma expectativa de vida de 72 anos? A resposta é: nenhum brasileiro
concreto, feito de carne e osso. Trata-se de uma média. Por exemplo: a
expectativa de vida das mulheres ao nascer é de 75,8 anos. Mas a dos homens é
de apenas 68,2 anos. O fato de pertencer a um sexo ou outro muda em quase 8
anos a expectativa de vida ao nascer. Mais importante, a expectativa de vida
dos homens ao nascer está quase 4 anos abaixo dos 72 anos da média nacional. A
idade de 67 anos, portanto, significaria quase que o total da expectativa de
um homem ao nascer, logo, se usarmos o próprio argumento dos privatistas
quanto à expectativa de vida, a aposentadoria seria uma ante-sala para a
morte.
Mas, a expectativa de vida
também varia, evidentemente, com as condições do lugar onde se nasce. Os
cidadãos do Distrito Federal (sem levar em consideração a diferença de sexos),
ao nascer, têm uma expectativa de vida de 74,9 anos. Mas, para os alagoanos,
essa expectativa é de apenas 66 anos. Ou seja, mesmo sem considerarmos as
distinções sexuais, ao nascer os alagoanos têm uma expectativa de vida 9 anos
inferior aos que nascem no DF. Se for uma alagoana, a expectativa será de 70,1
anos. Mas se for um indivíduo do sexo masculino, sua expectativa de vida será
de apenas 62 anos. Esses estariam, de acordo com o próprio argumento dos
privatistas, condenados a morrer trabalhando, por nunca alcançar, em média, a
idade para se aposentar.
Nenhum dos Estados das
regiões Norte ou Nordeste atinge a expectativa de vida de 72 anos, mesmo sem
considerarmos a diferença entre os sexos - e estamos nos referindo a nada
menos do que a 16 Estados do país (todos os dados acima estão em “Breves
notas sobre a mortalidade no Brasil no período 2000-2005”,
IBGE, dezembro, 2006).
Não entraremos nas
diferenças de expectativa de vida por classe social ou por categoria
profissional. O que dissemos basta para dar uma breve amostra da banal
numerologia dos corifeus da privatização – e, sobretudo, do que ela esconde.
DÉFICIT FORJADO
Mas entremos no que
realmente interessa. Recapitulemos a questão da Previdência: jamais, antes dos
governos Collor e Fernando Henrique, alguém pretendeu que a Previdência - a
Previdência pública, universal, para todos - fosse sustentada apenas
com as contribuições dos trabalhadores na ativa. Também nunca se pretendeu que
ela fosse financiada apenas pela soma das contribuições de empregados e
empregadores.
Quando Getúlio Vargas a
instituiu, em sucessivas etapas entre 1933 e 1945 - e, depois, em 1950,
unificou-a sob um regulamento geral – já havia o reconhecimento de que essas
contribuições eram insuficientes para as funções da Previdência. Na época, os
Institutos de Aposentadorias e Pensões (IAPI, IAPETEC, IPASE, etc.) estavam
encarregados não somente da Previdência (ou seja, das aposentadorias e
pensões), mas também do atendimento médico, cobrindo a maior parte do que hoje
se chama Seguridade Social. A terceira parte da Seguridade - a assistência
social - era realizada pela Legião Brasileira de Assistência (LBA) e outros
órgãos estatais, extintos por Fernando Henrique.
Por isso, as fontes de
financiamento da Previdência - e, de resto, da Seguridade Social - eram
três, e não duas: a contribuição dos empregados, a contribuição dos
empregadores, e a contribuição do Estado, o que jamais foi visto como
um problema, até porque era considerado óbvio que a sustentação dos
trabalhadores idosos, daqueles que já deram a sua contribuição para o
progresso do país, assim como a assistência aos desvalidos, era uma tarefa de
toda a sociedade.
Em fevereiro último, durante
sua viagem ao Fórum de Davos, o presidente Lula, que conhece bem a questão,
com a qual lidou tanto como líder sindical quanto como deputado constituinte,
explicitou essa concepção, que, realmente, só não é óbvia para quem pretenda
que o Estado não deve servir ao povo que o sustenta.
Indagado sobre um suposto
déficit de R$ 42 bilhões na Previdência, respondeu o presidente que “em
1988, o Congresso Nacional, com voto de todos nós, aprovou a extensão de
benefícios previdenciários para os trabalhadores rurais. Depois, criamos o
Estatuto do Idoso. Então, é uma carga que o Tesouro tem de assumir, não como
déficit, mas como política social”.
Na Constituinte de 1988,
Lula foi um dos deputados decisivos no estabelecimento das fontes de
financiamento da Previdência e da Seguridade Social. Estabelecê-las era
necessário, naturalmente, porque ninguém, absolutamente ninguém, acreditava
ser possível – nem ser justo – um sistema de financiamento da Previdência que
se limitasse a recolher as contribuições de empregados e empregadores. Era por
demasiado evidente, e não necessitava ser demonstrado, que a sociedade teria
de se responsabilizar pela Previdência, pela Saúde e pela Assistência Social.
Já que hoje algumas coisas que eram óbvias parecem imersas numa névoa de
ignorância e estupidez, relembramos o motivo: essas três funções do Estado
dizem respeito à vida dos cidadãos. Não podem estar submetidas a um suposto
mercado que é apenas o reino voraz de monopólios privados, cujo objetivo é
única e exclusivamente o lucro, doa a quem doer, morra quem morrer.
Daí a redação da primeira
parte do artigo 195 da Constituição: “A seguridade social será financiada
por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei”.
Mais claro e direto, impossível. Não são os trabalhadores e os patrões que são
responsáveis pela seguridade social, mas “toda a sociedade”.
Em seguida, o mesmo artigo
da Constituição diz o que isso significa, enumerando as fontes específicas de
financiamento: 1) “recursos provenientes dos orçamentos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios”. 2)
“[contribuições sociais] do empregador, da empresa e da entidade a ela
equiparada na forma da lei incidentes sobre: a) a folha de salários e demais
rendimentos do trabalho; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro”. 3)
[contribuições] “do trabalhador e dos demais segurados da previdência
social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão”; 4)
[contribuições] “sobre a receita de concursos de prognósticos”; 5)
[contribuições] “do importador de bens ou serviços do exterior”.
Por essa razão, obedecendo a
Constituição, foram estabelecidas a Contribuição para Financiamento da
Seguridade Social (Cofins), que não por acaso tem esse nome, equivalente a 2%
do faturamento mensal de cada empresa (Lei Complementar nº 70, de 1991); e a
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, definida pela Lei nº 7689, de 1988,
que começa do seguinte modo: “Art. 1º Fica instituída contribuição social
sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da
seguridade social” (grifo nosso).
Esses recursos fazem parte
do orçamento da seguridade social (2º parágrafo do artigo 195 da
Constituição). Não são recursos do Orçamento da União. A Seguridade Social é
um orçamento à parte, com fontes próprias destinadas a financiar a
Previdência, a Saúde e a Assistência Social.
DESVIO
No entanto, esses recursos,
a partir do governo Fernando Henrique, foram desviados para pagar juros, ou
seja, para fazer o chamado “superávit primário”. Fez-se isso através do mal
chamado “Fundo Social de Emergência”, depois “Fundo de Estabilização Fiscal” ,
em 2000, “DRU – Desvinculação de Recursos da União”.
Assim foi fabricado um falso
déficit na Previdência. Em suma, alguns gênios neoliberais começaram a
calcular o orçamento da Previdência considerando apenas a receita oriunda das
contribuições de trabalhadores e empresários, como se a Cofins, CSLL e outras
contribuições existissem para locupletar cofres de bancos, e não para
financiar a Previdência e demais setores da Seguridade Social. Somente para
não esquecer, repetimos: “Cofins” é a sigla de Contribuição para
Financiamento da Seguridade Social. E a lei que estabeleceu a CSLL diz em
seu primeiro artigo: “Fica instituída contribuição social sobre o lucro
das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade
social”. Parece óbvio, mas sabe-se que tucanos, neoliberais e
aprochegados têm um dicionário peculiar, daqueles que substituem “roubo” por
“privatização” e “enriquecimento ilícito” por “eficiência e competência”.
Apesar de sua origem
espúria, a DRU foi útil ao governo do presidente Lula para enfrentar a
situação caótica da economia, deixada pelo governo Fernando Henrique. Era uma
situação de emergência e foi justo utilizar os recursos da Seguridade para
ajudar a cobrir o rombo deixado por oito anos de incúria, incompetência,
subserviência e, numa palavra, roubo.
Porém, esta não é mais a
situação atual. Por outro lado, a DRU expira este ano. O que significa, então,
a conversa de alguns infiltrados no Ministério da Previdência, à revelia do
ministro Marinho e do presidente Lula, de que somente as contribuições de
trabalhadores e empresários são fontes da Previdência? Significa que eles
querem eternizar a DRU, passando por cima da Constituição, e seqüestrar
definitivamente esses recursos da Previdência.
A Seguridade Social tem
tido, contados os recursos da Cofins, CSLL e demais contribuições sociais,
repetidos superávits. No primeiro ano do governo Lula, 2003, o superávit foi
de R$ 31,7 bilhões; em 2004, R$ 42,5 bilhões; em 2005, R$ 57,7 bilhões; no ano
passado, R$ 47,9 bilhões.
Com esses recursos, não há
problema algum da Previdência. Nem agora nem para um futuro previsível. O
único problema a resolver é a devolução do que lhe pertence. Talvez não seja
possível fazê-lo instantaneamente, mas é necessário, pelo menos, fixar esse
objetivo – e começar a devolução, ou começar a discutir um cronograma para que
ela seja realizada.
SIMULAÇÕES
No entanto, não parece ser
essa a perspectiva dos inveterados privatistas do IPEA, inclusive do
secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, geralmente
sustentado, nas discussões do Fórum Nacional da Previdência, pelo secretário
de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy.
Primeiro, a argumentação de
que os recursos da Previdência são constituídos apenas pelas contribuições de
empregados e empregadores, além de um atentado à Constituição, é também uma
agressão ao governo Lula, pois o presidente foi explícito sobre a questão, e
ao ministro Marinho, de impecável trajetória sindical e política.
Há alguns dias, nesta mesma
página, nosso repórter Alessandro Rodrigues e o líder sindical Lindolfo Santos
fizeram algumas observações sobre as aventuras dos técnicos do IPEA e outros
fariseus no terreno da demografia.
Temos a acrescentar o
seguinte: toda discussão que se limita ao puro campo da demografia é uma
discussão de cretinos. Desde o século XIX se sabe que cada modo de produção
estabelece suas próprias leis de população. E, acrescentamos nós, em cada
situação histórico-econômica essas leis demográficas atuam de forma diferente.
Em suma, a demografia é condicionada pela situação econômica. Por exemplo, é
sabido que a expansão econômica capitalista sempre cria uma “superpopulação”,
pela própria necessidade de um “exército industrial de reserva”.
Assim, dizer que 4% da
população, em 1980, estava na faixa acima dos 65 anos, subindo para 5,4% em
2000, e, por isso, essa percentagem será de 8,7% em 2020, de 15,3% em 2040 e
de 18,8% em 2050, não passa de idiotice, por várias razões. A principal é,
evidentemente, que ninguém garante que isso será assim. Por que razão a taxa
de crescimento (ou redução) populacional (ou a variação dessa taxa) se manterá
estável no período que vai de 2007 até 2050, um período de mais de 40 anos?
CRESCIMENTO
Será que não haverá
crescimento econômico no país que altere as taxas demográficas? Será que o
Brasil, cujo crescimento populacional foi dependente do crescimento econômico
iniciado pela Revolução de 30, continuará com o mesmo ritmo demográfico
declinante do final da década de 80 até o final da de 90, quando o país foi
arrasado economicamente pela subserviência da criadagem que se instalou no
poder?
Será que não existirão
mudanças nesse período de quatro décadas até o ano de 2050? Não é porque nessa
época já não estaremos por aqui – embora, pensando bem, nem isso é garantido –
que podemos ignorar a possibilidade de mudanças, reformas e até revoluções que
alterem o crescimento, que alterem o padrão de distribuição e, portanto,
alterem o ritmo e a composição demográfica. Aliás, essas mudanças já
começaram. Mas são elas que Schwarzer quer ignorar, simplesmente porque não
quer que aconteçam.
Schwarzer e seus colegas do
IPEA acreditam que não haverá mudanças porque querem que continuemos do jeito
que estamos hoje. Daí seus cálculos de que cada vez mais aumentará a parcela
de trabalhadores inativos e cada vez mais diminuirá a parcela de trabalhadores
ativos.
O que eles querem apagar é o
crescimento do país, e porque não querem que o país cresça. Acham que a
situação atual é o normal – aliás, acham que estamos saindo dos trilhos, pois
normal mesmo era a situação na época de Fernando Henrique.
SAPIÊNCIA
Não se trata de uma
suposição. Examinemos as projeções que constam no já citado “paper” (não é
assim que eles gostam de falar?) “Regime Geral de Previdência Social:
Projeções de Longo Prazo - junho de 2007”. São sete “simulações” (não por
acaso, parecem achar que “projeção” e “simulação” é a mesma coisa) do que
acontecerá entre o ano 2008 e 2050. Vejamos:
a)
Entre 2011 e 2050, o crescimento médio do PIB será (?) de 2,26%. Como o leitor
pode perceber, Schwarzer prevê que o Brasil terá um crescimento medíocre
durante 40 anos. O José, da Bíblia, previu ao faraó apenas sete anos de vacas
magras. E, depois, sete anos de vacas gordas – ou será o contrário? Seja como
for, se o Egito tivesse Schwarzer como adivinho, o faraó estaria lascado e mal
pago.
Qual a base para fazer uma
previsão tão catastrófica? Absolutamente nenhuma. Sobretudo num país imenso
como o Brasil, que não precisa de muito estímulo para crescer. Mas o fato é
que Schwarzer não absorveu a política do presidente Lula, de estabelecer como
meta anual de crescimento pelo menos 5%. Trata-se de uma confissão de que ele
se opõe à política do próprio governo de que faz parte, confissão “projetada”
para depois que Lula saia do governo, ou seja, para 2011. Não é muito difícil
perceber quem ele acha, ou deseja, que deve ser o sucessor de nosso
presidente.
b)
Não haverá (!?) aumento real de salários entre 2011 e 2050. Nem aumento real
do salário mínimo. Portanto, segundo a previsão de Schwarzer, o trabalhador
brasileiro, nos próximos 40 anos, continuará na miséria atual, já que o
principal mecanismo de distribuição de renda estará bloqueado. Sem dúvida,
isso tem pouca afinidade com o programa do presidente Lula. Menos ainda com a
realidade. Ou ele acha que os trabalhadores irão ficar parados, sem aumento
real por 40 anos? Mais fácil é surgirem milhares de Lulas, dispostos a
arrancar os aumentos na marra. Mas, talvez, ele seja um perigoso
revolucionário, desses que acham que a melhor forma de fomentar a revolução é
não dar aumento aos trabalhadores...
c)
“Sem alterações na estrutura do mercado de trabalho”. Em 40 anos? É, leitor,
pelo jeito, ele acha que nem uma porcaria de uma invenção tecnológica – para
não falar de outras coisas mais importantes e profundas – vai afetar o
“mercado de trabalho”. Há 50 anos os navios tinham telegrafistas e os
escritórios tinham máquinas de datilografia. Hoje, não têm mais. De nossa
parte, não podemos garantir que daqui a 40 anos existirá algo chamado
“mercado” de trabalho. Mas o sr. Schwarzer garante que tudo estará na mesma,
com os trabalhadores vendendo sua força de trabalho exatamente do mesmo jeito
que hoje.
d)
O aumento dos trabalhadores com carteira assinada será de “1,1% ao ano até
2050”. Só isso? É, só isso. E, garante ele, em 2050, 71% dos trabalhadores
terão carteira assinada. Apenas 71% depois de quatro décadas? Como ele sabe
que com um aumento de 1,1% se chegará a esse resultado? Ou seja, como ele sabe
qual o crescimento da força de trabalho (População Economicamente Ativa) nesse
período de quase meio século? Não se sabe. Mas ele sabe.
Não continuaremos a examinar
as outras “simulações” de Schwarzer. O pior de tudo é o dinheiro que foi gasto
para formar um pedante que acha possível enrolar os trabalhadores com
meia-dúzia de gráficos sem pé nem cabeça. Se ele não acreditasse nos próprios
números, como Disraeli, até poderia ter algum futuro. Mas tudo indica que,
além do mais, acredita neles, e deve achar que os trabalhadores são uns
ignorantes.
JUSTO E VIÁVEL
Não são. O presidente da CUT
o demonstrou: “Os números de vocês não se sustentam. Historicamente, o
crescimento das receitas da Previdência são maiores que o crescimento do PIB.
O estudo ignora isso. A bancada dos trabalhadores quer apresentar as suas
projeções para a Previdência nas próximas décadas. Queremos deixar claro que
os números, quando trabalhados a partir de uma base correta e com espírito
inclusivo, comprovam que estender os direitos atuais a todos os brasileiros é
a maneira justa – e, por sinal, também financeiramente viável – de garantir o
futuro da Previdência”.