Informe Publicitário
Sindicato dos Metalúrgicos de
São Paulo
Crise aérea e
trabalho
A responsabilidade
pelo caos nos aeroportos do País não pode ser atribuída, simplesmente, aos
controladores de vôos, com sua desmoralização e punição. A origem dos
problemas, que colocam em risco a segurança dos vôos, está no próprio sistema,
ultrapassado, por falta de investimentos, e na sua administração, que não
valoriza os profissionais e não investe na sua formação.
Os atrasos e
cancelamentos de vôos em todas as regiões, por exemplo, se devem a vários
fatores: operação padrão, nevoeiros que fecham aeroportos, más condições das
pistas etc. Mas o mais grave é que o sistema aeroportuário brasileiro está
saturado e qualquer perturbação provoca problemas muito maiores do que os
registrados por causa da diferença de escala do movimento de passageiros e
aviões.
Somado a isso,
apesar da quebra da Transbrasil, da Vasp e da Varig, temos um aumento de
demanda de 12% ao ano, motivado por fatores que vão do crescimento da
economia, com moeda estável, até a entrada no mercado de companhias aéreas que
oferecem serviço básico a preços mais acessíveis. As viagens aéreas ficaram,
assim, mais ao alcance de um número cada vez maior de pessoas. Já os
aeroportos não cresceram na mesma proporção.
Um relatório da
Agência Nacional da Aviação Civil mostra, por exemplo, que o aeroporto de
Congonhas, com capacidade para receber 12 milhões de passageiros/ano, recebe
mais de 17 milhões. Cumbica está no limite. O aeroporto de Brasília tem
capacidade para receber 7,4 milhões, mas recebe cerca de 10 milhões. Os pátios
desses aeroportos também estão saturados, ou seja, não têm espaço físico para
receber os aviões a mais. O resultado é a saturação da infra-estrutura
aeroportuária.
O que estão fazendo
com o povo brasileiro é um desrespeito. Para os controladores, a solução é a
desmilitarização do setor e, para isso, só o Presidente da República ou a Casa
Civil teriam autoridade para negociar.
Enquanto isso, o
ministro Guido Mantega, da Fazenda, nega que haja caos aéreo no País e atribui
a situação nos aeroportos a fatores como o aumento da demanda causada pelo bom
momento da economia. “É o preço do sucesso”, afirmou, perdendo a oportunidade
de ficar calado, como sua colega do Ministério do Turismo, e de partido, que
pediu para o passageiro relaxar e gozar. Solução mesmo e competência para
administrar o problema, não tem. Pobre de nós, cidadãos brasileiros.
Eleno
Bezerra, Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo